Autocarros de Lisboa vão ter super computador para fugir ao trânsito

Projeto-piloto mundial vai decorrer durante a Web Summit. Envolve nove autocarros da Carris e o centro de desenvolvimento da Volkswagen em Portugal.

Na próxima semana, durante a Web Summit, nove autocarros em Lisboa vão andar a fugir ao trânsito graças ao uso de computadores quânticos. A capital portuguesa foi escolhida como a primeira cidade em todo o mundo para o novo projeto-piloto do grupo Volkswagen para transportes públicos. Desta forma, as viagens da Carris poderão ser mais rápidas.

Para o projeto-piloto em Lisboa, foram escolhidas 26 paragens de autocarro, de quatro rotas. Uma destas rotas vai fazer a ligação entre o Marquês de Pombal e o Parque das Nações, onde decorre a Web Summit na próxima semana.

Entre 4 e 8 de novembro, nove autocarros da Carris da marca MAN (do grupo VW) vão estar equipados com um sistema inteligente de gestão de tráfego desenvolvido pelo gigante automóvel alemão, segundo nota de imprensa divulgada esta terça-feira. Este computador quântico, com capacidade de processamento muito acima de um computador normal, vai calcular, praticamente em tempo real, a melhor rota para estes autocarros.

O sistema D-Wave faz as contas a partir dos dados, anónimos, das paragens com maior número de passageiros nas horas de ponta. Depois de obter essa informação, o sistema calcula qual será a rota mais rápida para um determinado percurso e permite que o autocarro evite filas de trânsito antes mesmo de elas surgirem.

Graças ao computador quântico - desenvolvido em parceria com a D-Wave e a Google -, também será possível criar um percurso personalizado para cada uma das quatro linhas que a Volkswagen vai testar durante a próxima semana. Esta solução, acredita o grupo alemão, poderá ser permitir às transportadoras responder aos picos de utilizadores durante a realização de grandes eventos, como a Web Summit.

Mais testes em breve

No futuro, a empresa alemã pretende realizar projetos-piloto de gestão de tráfego em várias cidades alemãs e noutros países da Europa. A Volkswagen diz que este sistema poderá ser utilizado por empresas de transportes públicos, cooperativas de táxis e gestores de frota.

"Na Volkswagen, estamos a expandir o nosso conhecimento na área da computação quântica e como ela poder ter um uso importante para a empresa. A otimização de tráfego é uma das principais utilizações desta tecnologia. A gestão de tráfego inteligente baseada nas capacidades de desempenho de um computador quântico pode ajudar as cidades e os cidadãos", assinala Marin Hofmann, responsável do grupo Volkswagen para a área da inovação.

Porquê Lisboa?

Não é por acaso que Lisboa foi escolhida como a primeira cidade do mundo para receber este projeto-piloto do grupo Volkswagen. A capital portuguesa conta há um ano com o centro de desenvolvimento de software SDC, que desenvolve soluções tecnológicas para todo o gigante alemão. Até ao final de 2020, espera-se que este centro conte com 300 pessoas.

"Os programadores e os designers de UX vão construir software centrado nos consumidores, como aplicações para ligar ao carro e fornecer mais serviços", explicou no ano passado Martin Hofmann em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Na passada Web Summit, o líder de Inovação do grupo Volkswagen tinha adiantado que Lisboa seria a "a primeira cidade do mundo a usar os serviços de computação quântica para tentar otimizar o tráfego".

jornalista do Dinheiro Vivo

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