7 em cada 10 portugueses só largam o próprio carro pelo dinheiro

Serviços de transporte através de chamada ou por aplicação vão ser os mais populares na próxima década em Portugal, segundo estudo de grupo de rent-a-car.

Não é pelos transportes públicos, nem pelo ambiente que os portugueses vão largar o carro próprio. Apenas os custos mais baixos é que podem convencer os condutores a abdicar do seu automóvel na próxima década, revela um estudo divulgado esta terça-feira grupo de rent-a-car Avis Budget. Nos próximos anos, os serviços de transportes através de chamada ou de aplicação vão ser os mais populares.

72% dos portugueses inquiridos afirmaram que só vão deixar de ter carro se for mais rentável não terem os custos associados à condução e à manutenção do veículo. Portugal é mesmo o segundo país com a percentagem mais elevada neste critério - só os polacos, com 74%, é que estão mais agarrados aos custos de um automóvel, revela este relatório sobre o futuro da mobilidade.

"A mudança na procura e a expansão da economia partilhada representam simultaneamente desafios e oportunidades para a indústria da mobilidade: ao mesmo tempo que os consumidores querem serviços conectados, integrados e on-demand [a pedido], continuam a querer conveniência ao melhor preço", comentou Keith Rankin do grupo Avis Budget para os mercados internacionais, excluindo as Américas.

No entanto, a forma mais popular de ter acesso a um veículo em Portugal na próxima década não será através de um carro próprio. Os serviços de transporte por aplicação vão ser a principal aposta, com 23,9%; o carro próprio surge com 21% e os serviços de partilha de um automóvel registam 18,9% das preferências, acrescenta o documento.

Mais de metade dos inquiridos já utiliza aplicações para condução, como o Google Maps, pelo menos uma vez por semana

Os estrangeiros, pelo contrário, ainda acreditam que o carro próprio vai ser a forma mais popular de aceder a um automóvel na próxima década, responderam 32% dos inquiridos. A partilha de carro e os serviços de aluguer de automóveis ficam em segundo e terceiro lugares, respetivamente.

Para que as pessoas comecem a alugar automóveis a longo prazo é preciso, sobretudo, que haja um carro disponível sempre que é preciso (78% das respostas), não ter de haver preocupação com reparações e manutenções (45%) ou então que estes automóveis custem tanto como o próprio carro (45%).

Na parte mais ligada à proteção de dados, a maioria dos automobilistas (54%) mostra-se confortável ou mesmo muito confortável em que infraestruturas inteligentes possam usar os seus dados para melhorar a experiência em viagem. "As pessoas estão, pelo menos, preocupadas com a privacidade e a utilização dos seus dados. Mas na prática, se lhes for fornecido um serviço conveniente e fácil de utilizar, as pessoas esquecem estas preocupações. Surpreendentemente, mais de metade dos inquiridos já utiliza aplicações para condução, como o Google Maps, pelo menos uma vez por semana", assinala o documento.

Os custos e o desenvolvimento destas novas infraestruturas devem ser repartidos entre o público e o privado, segundo 30% dos inquiridos a nível mundial; 24% defendem que os governos locais devem tomar conta destas apostas; 22% sustentam que o Estado deve pagar tudo, de acordo com o estudo baseado na opinião de 890 portugueses entre 14 286 inquiridos de 16 mercados. A sondagem decorreu em julho e agosto, já depois da entrada em vigor dos novos passes de transportes em Portugal, mais baratos.

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