The Rocket O'Sullivan' continua o melhor no snooker e nas polémicas

Ronnie O'Sullivan conquistou este domingo o título mundial de snooker pela sexta vez, quebrando um jejum que durava desde 2013, num campeonato marcado pelo seu inconfundível génio - nas mesas e fora delas

O inglês ​​​​​​Ronnie O'Sullivan conquistou este domingo o título mundial de snooker pela sexta vez, ao bater o compatriota Kyren Wilson, por 18-8, na final disputada no Crucible Theatre, em Sheffield.

O'Sullivan, de 44 anos, sucedeu ao compatriota Judd Trump, ao repetir os êxitos de 2001, 2004, 2008, 2012 e 2013, na sua sétima final, com menos um título do que o escocês e recordista Stephen Hendry, mas igualando os números de conquistas do também inglês Steve Davis e do galês Ray Reardon.

The Rocket teve um percurso difícil até ao embate decisivo, eliminando o chinês Ding Junhui, na segunda ronda, o antigo campeão do mundo Mark Williams, nos quartos-de-final, e o três vezes vencedor do Mundial Mark Selby, nas meias.

Na final, à melhor de 35 'frames', O'Sullivan, quarto do ranking mundial, venceu este domingo sete partidas consecutivas perante o sexto da hierarquia, depois de ter chegado ao derradeiro dia com uma vantagem de 10-7, encerrando a decisão no primeiro duelo da sessão noturna.

O sexto título mundial foi selado com um break de 96 (104-1) no 26.ª frame, permitindo àquele que é considerado como o mais talentoso jogador de sempre, até porque é ambidestro, somar 37 títulos de ranking, mais um do que Stephen Hendry.

"Para ganhar um título mundial é preciso estar lá em cima. Nunca pensei muito em títulos. Quando era criança não sonhava estar aqui", afirmou, tendo revelado que não teve uma grande preparação para o torneio, contando apenas com a ajuda de um amigo. "Acredite ou não, não tenho local para praticar. Um amigo instalou umas mesas para eu vir para o Mundial confortável", revelou.

Os "ratos de laboratório" e as críticas à nova geração

Excêntrico e até polémico, Ronnie O'Sullivan voltou a deixar vincado o seu génio particular neste Mundial. O inglês não aceitou bem a decisão do governo britânico e dos organizadores em permitir a presença de espetadores no The Crucible Theatre, com as devidas regras de distanciamento, e sugeriu que os jogadores de snooker estavam a ser tratados como "ratos de laboratório" nesta fase de pandemia pós-confinamento, já que em nenhum outro desporto foi permitida a presença de público em Inglaterra.

Além disso, The Rocket puxou dos galões e criticou a nova geração de jogadores, tendo mesmo afirmado que "teria de perder um braço e uma perna" para sair do top 50 do mundo e que muitos dos atletas na extremidade inferior da classificação nem seriam mesmo "amadores decentes".

"Eu adoro Ronnie, mas tenho que dizer algo sobre isso", admitiu o campeão mundial de 1997, Ken Doherty, que ainda está classificado entre os 64 melhores do mundo e que, portanto, foi um alvo não intencional das afirmações de O'Sullivan.

"Quando ele fez essas declarações, irritou-me um pouco. Ele é um génio na mesa e, gostando ou não, ele é um embaixador do nosso jogo; ele é nosso talismã. Há muitos jogadores da parte de baixo da classificação que admiram o Ronnie e que talvez até se inspirem nele, e dispensá-los não seria certo. Não é justo nem bom. Não me posso sentar e deixar essas afirmações sem resposta", frisou.

Talvez por ter ouvido Ken Dohery, Ronnie O'Sullivan deixou algumas palavras de encorajamento para Kyren Wilson, 28 anos, seu adversário na final e precisamente um dos tais elementos da nova geração. "O Kyren é um jogador de ponta que está sempre a evoluir. Quando se tem aquele desejo, fome e crença nas suas capacidades, pode-se até trabalhar num bar ou fazer outras coisas durante algum tempo, mas no fundo aquele fogo está a queimar forte e vai-se chegar onde se quer. Ele vai ganhar este torneio um dia. Ele é muito melhor do que qualquer pessoa da sua idade", vincou.

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