Telma Monteiro é vice-campeã da Europa. A colecionar medalhas desde os 18 anos

Judoca do Benfica conseguiu a 14.ª medalha em 14 participações em campeonatos da Europa. Aos 34 anos a número 11 do ranking mundial arrecada mais uma medalha de prata.

Telma Monteiro é vice-campeã da Europa de Judo, na categoria de -57 kg. É a segunda medalha de prata em sete finais para a judoca portuguesa. Desde que se estreou em 2004, então com 18 anos, a atleta do Benfica, agora com 34 anos, tem garantido sempre uma medalha nos europeus.

São assim 14 medalhas europeias (mais uma em equipa mista) em 16 anos e 14 participações. Um registo impressionante para aquela que é a segunda judoca mais medalhada do mundo. Telma tem cinco ouros - Tampere (2006), Belgrado (2007), Tbilisi (2009), Chelyabinsk (2012) Baku (2015) - duas pratas - Istambul (2011) e Praga (2020) - e sete medalhas de bronze - Bucareste (2004), Roterdão (2005), Viena (2010), Budapeste (2013), Montpellier (2014), Telavive (2018) e Minsk (2019).

A judoca portuguesa já tinha garantido uma medalha nos Europeus de Judo, ao qualificar-se para a final, após vencer a sérvia Marica Perisic, por ippon (a número 33 do mundo demorou menos de 30 segundos a ir ao tatami), no terceiro combate realizado na O2 Arena, em Praga. Antes, a atleta do Benfica e número 11 do ranking mundial, já tinha derrotado a holandesa Sanne Verhagen (23.ª) e a polaca Júlia Kowalczyk (16.ª), também por ippon.

Na final perdeu com Karakas Hedvig. Após quatro minutos de combate a portuguesa perdeu no ponto de ouro, ao acumular três castigos, quando a sua adversária também tinha dois shido.

Começou no judo graças a programa de reinserção social

Foi graças a um programa de reinserção social no Bairro Branco (Monte de Caparica), liderado pelo mestre Vítor Caetano, que Telma, então com 14 anos, apareceu no judo. A irmã, Ana Monteiro, e as amigas - Sandra Borges, Ana Sofia, e as irmãs Teresa e Sandra Mirrado - andavam no judo. Telma andava no futebol. "Tinha uma enorme paixão pela bola", contou Manuela, a mãe ao DN em 2016, revelando que ela até era boa jogadora e chegou a ter alguns problemas com os treinadores de ambas a modalidades, tal a disputa: "Dei por mim a ter de dizer aos treinadores que ela é que decidia... ia dando confusão."

Ela escolheu o judo e passou para o CCD - Construções Norte Sul. O primeiro quimono custou 16 contos (cerca de 80 euros) e foi pago a prestações. Ela tratou de justificar o investimento da mãe. Em 2007 mudou-se para o Benfica, clube que representa até hoje.

Depois do primeiro título nacional, vieram as taças do Mundo e os títulos europeus, até merecer a honra de ser porta-estandarte de Portugal nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e arrecadar uma medalha de bronze na quarta participação olímpica, no Rio 2016.

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