Mais uma obra de arte de Bruno Fernandes vale final da Taça

Um grande golo do médio leonino permitiu ao Sporting vencer o Benfica e marcar lugar na final da Taça de Portugal, onde no dia 25 de maio terá como adversário o FC Porto.

O Sporting venceu esta quarta-feira o Benfica, por 1-0, e garantiu um lugar na final da Taça de Portugal, onde vai medir forças no dia 25 de maio com o FC Porto. Os leões regressam ao Jamor, local onde há um ano perderam a final com o Desportivo das Aves, num jogo de má memória disputado poucos dias depois de um dos mais negros acontecimentos da história do clube, com o ataque à Academia de Alcochete.

Num jogo nem sempre bem jogado, o Sporting foi a melhor equipa em campo, sobretudo na segunda parte. E depois Bruno Fernandes fez toda a diferença, com um grande golo (mais um) aos 75 minutos que carimbou o passaporte para a 29.º final da Taça de Portugal da história dos leões, que voltam a encontrar o FC Porto depois da final de 2008 decidida pelo improvável Tiuí com dois golos do prolongamento.

O Benfica entrava em campo em Alvalade com uma vantagem de 2-1 garantida no jogo da primeira mão, na Luz, mas com o peso da história contra, já que nos jogos da Taça de Portugal disputados em Alvalade, os leões venceram 13 partidas em 16. Aliás, a última vez que o Benfica tinha conseguido vencer no reduto do rival, em partidas da Taça, tinha sido há mais de meio século, em 1963, com um golo de José Águas.

O Sporting entrou bem no jogo, com as linhas juntas, a jogar em velocidade, e com os seus jogadores a não hesitarem em rematar à baliza. Gudelj deixou um primeiro aviso logo aos dois minutos, com um remate perigoso ao lado da baliza de Svilar, Bruno Fernandes tentou a sorte num livre, para defesa de Svilar, e Bruno Gaspar voltou a tentar de meia distância, mas por cima. Tudo nos primeiros cinco minutos, perante um Benfica surpreendido com a entrada à leão dos jogadores da casa.

Os encarnados tentaram algumas vezes tirar partido de alguma descoordenação no lado esquerdo da defesa do Sporting, já que a equipa de Marcel Keizer defendia com três centrais, com Borja a juntar-se a Mathieu e Coates, e Acuña não fechava bem o corredor.

Houve mais Sporting até aos 20 minutos (já sem Gabriel, que saiu lesionado e foi rendido por Gedson Fernandes), mas depois a pressão não foi tão intensa, com o Benfica a conseguir equilibrar o jogo. Mesmo assim ficou mais um apontamento dos leões, com um remate de meia distância de Luiz Phellype por cima, perto da meia hora do jogo.

O Benfica criava sobretudo perigo através de lances de contra-ataque. Aos 39', a equipa de Lage teve a primeira ocasião de golo do primeiro tempo, num remate de Fejsa que Renan defendeu. E depois, já perto do intervalo, gritou-se golo em Alvalade, mas Seferovic, em boa posição, acertou mal na bola após um bom cruzamento de João Félix. O intervalo chegou com o Sporting mais rematador (seis remates contra três), mas empatado nos remates enquadrados à baliza (um para cada lado).

O segundo tempo começou com uma oportunidade para cada lado. Primeiro para o Benfica, aos 47', com Pizzi a desmarcar Seferovic com um passe fenomenal, mas o avançado suíço a atirar de pé direito ao lado. E dois minutos depois num livre direto de Bruno Fernandes em posição frontal que bateu com violência na barra da baliza de Svilar.

Tal como no primeiro tempo, o Sporting entrou melhor no jogo. Mas o problema dos leões surgia na hora da finalização, com Luiz Phellype bem anulado pela defesa do Benfica, e por isso os jogadores leoninos a tentarem na maioria da vezes a sorte de longe.

Aos 64', Bruno Lage mexeu na equipa. Tirou João Félix, muito apagado, e lançou Jonas. Uma alteração para dar mais dinâmica ao ataque, mantendo-se Seferovic como o avançado mais posicional. Mas sem resultados práticos. A primeira alteração de Keizer foi aos 70, e na defesa, com Ilori a entrar para o lugar de Bruno Gaspar. E aos 74' arriscou tudo, com a saída de Borja e a entrada de Diaby.

Quase logo a seguir, o grande momento da noite, mais uma vez num lance de inspiração do capitão Bruno Fernandes. Recebeu de Diaby uma bola na direita, tirou Grimaldo da frente e rematou cruzado de pé esquerdo sem hipóteses para Svilar. Foi o 26.º golo da época de Bruno Fernandes em todas as provas. Um número impressionante para um médio, que com este golo marcou em todos os jogos do Sporting (seis) na Taça de Portugal.

O golo colocava o Sporting na frente da eliminatória e o público em Alvalade, que pouco se tinha manifestado, começou a puxar pela equipa. Lage voltou a mexer, colocando Taarabt no lugar de Fejsa e, no mesmo minuto (82'), Seferovic quase empatou de cabeça, mas a bola saiu ao lado. Até ao final, o Benfica tentou mas nunca conseguiu dar o melhor seguimento aos lances. Aproveitou o Sporting para criar jogadas de perigo em contra-ataque, mas o resultado não sofreu mais alterações, com o final do jogo a ser marcado por algum sururu entre os jogadores e Rafa a ser expulso já após o apito final ao ver o segundo amarelo.

O 1-0 bastou para os leões marcarem lugar na final da Taça, uma competição que pode de certa forma salvar uma época em que o Sporting também já conquistou a Taça da Liga, mas em que já deixou de estar na corrida pelo campeonato, a oito pontos dos líderes Benfica e FC Porto. Resta dizer que o Benfica não perdia em competições internas desde 23 de janeiro, precisamente quando saiu derrotado na Taça da Liga diante do FC Porto. Os encarnados, já fora da Taça de Portugal, centram agora atenções na conquista do campeonato e estão ainda nos quartos-de-final da Liga Europa.

A FIGURA - BRUNO FERNANDES

Já há poucas palavras e adjetivos para descrever a genialidade do médio leonino, uma peça fundamental nesta equipa do Sporting. Joga, faz jogar e marca golos. Muitos golos! Quase todos os lances de perigo dos leões passaram pelos seus pés e na primeira parte deixou logo um aviso, com um livre direto que bateu com violência na barra da baliza de Svilar. Depois, no segundo tempo, voltou a ser o maestro de uma orquestra que não tem muitos bons executantes. Mas a sua presença disfarça essas debilidades. Aos 75', o momento do jogo. Recebeu de Diaby uma bola no lado direito do ataque leonino, tirou Grimaldo da frente a rematou com força e colocado ao ângulo esquerdo da baliza de Svilar. Mais uma obra de arte para o seu repertório de golos esta época, onde já chegou aos 26 em todas as competições. É verdade! Marcou na totalidade dos seis jogos dos leões na Taça de Portugal e fez o que que desde 1979/80 um jogador do Sporting não fazia: marcar ao Benfica, na mesma época, em três jogos consecutivos, igualando Rui Jordão, que por sinal estava na bancada a ver o jogo.

FICHA DO JOGO

Jogo realizado no Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Sporting - Benfica, 1-0.

Ao intervalo: 0-0.

Marcador: 1-0, Bruno Fernandes, 75.

Sporting: Renan, Bruno Gaspar (Ilori, 70), Coates, Mathieu, Borja (Diaby, 74), Gudelj, Wendel (Idrissa Doumbia, 88), Bruno Fernandes, Acuña, Raphinha e Luiz Phellype.

Treinador: Marcel Keizer.

Benfica: Svilar, André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Grimaldo, Fejsa (Taarabt, 82), Gabriel (Gedson, 17), Pizzi, Rafa, João Félix (Jonas, 64) e Seferovic.

Treinador: Bruno Lage.

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa).

Ação disciplinar: cartão amarelo para João Félix (43), Gudedj (44), Bruno Gaspar (54), Luiz Phellype (59), Rafa (64 e após o final), Acuña (77), Raphinha (82) e Borja (após o final). Cartão vermelho por acumulação de amarelos para Rafa (após o final).

Assistência: 34.221 espetadores.

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