Sul perde um histórico. Salvou-se o Vitória, desceu o Portimonense

Campeonato 2019-20 terminou mal para equipa algarvia e o Desp. Aves, que assim descem à II Liga. FC Porto coroado campeão numa liga em que o Benfica foi 2.º e o Sp. Braga terceiro. Sporting (4.ª) e Rio Ave (5.º) ficaram com os outros lugares europeus. Famalicão foi a grande surpresa e foi 6.º.

O Vitória garantiu a manutenção ao vencer este domingo o Belenenses SAD (2-0) na 34.ª e última jornada da I Liga. O Tondela também se safou ao vencer o Moreirense (2-1). O Portimonense também venceu o Desp. Aves (2-0), mas o triunfo não chegou para manter a equipa algarvia entre os grandes do futebol português.

A equipa de Setúbal salvou-se (e o Tondela também) pela sexta vez desde que subiu pela última vez (2004-05) ao vencer este domingo o Belenenses SAD, na 34.ª e última jornada da I Liga. Quem desceu foi o Portimonense. Os alvinegros marafados desceram pela quarta vez (1977-78, 1989-90, 2010-11 e 2019-20) em 17 participações na I Liga (13 delas de 1976 a 1990). A equipa do Algarve até venceu o Desp. Aves (2-0), mas não dependia só de si e acabou despromovida à II Liga em 2020-21. "Chegar ao último jogo e não conseguir o objetivo principal é uma sensação de grande frustração, mas os campeões caem e levantam-se. A vida não para aqui, há carreiras a construir e carreiras a alcançar. O que ouvi da administração foi essa força, que sempre nos passaram. Tenho a certeza que o clube vai reerguer-se ainda mais forte", confessou Paulo Sérgio, na flash-interview, sem garantir a continuidade no banco algarvio, por não se ver a treinar na II Liga.

O Vitória garantiu assim a 73 presença no escalão principal, que ajudou a fundar em 1934-35. Tal como em 2006-07, em 2008-09, 2009-10, 2012-13 e 2014-15, a equipa do Bonfim também entrou na última jornada com a corda na garganta e safou-se. O empate em Alvalade na jornada passada deu alento à equipa sadina para o último jogo do campeonato, pois passou a depender só de si para ficar na I Liga. Bastava ganhar ao Belenenses, o que acabou por acontecer.

Lito Vidigal (4.º treinador da época) pegou na equipa há quatro jornadas para a salvar na última jornada. No final confessou que foi "a missão mais difícil" que teve na carreira e dedicou a manutenção aos adeptos, que não puderam estar no estádio devido às regras sanitárias por causa da pandemia. Sobre o futuro e se orientará a equipa na próxima temporada, "ainda é cedo" para falar disso. A hora é de festa, mas o clube setubalense ainda tem outra batalha pela frente. Apesar de ter garantido a manutenção não é líquido que fica na I Liga, uma vez que não pode falhar os pressupostos financeiros e já há equipas atentas a uma possível vaga ganha na secretaria.

O mapa futebolístico vincadamente nortenho na época que agora termina manterá o domínio acima do Mondego, com as mesmas duas equipas (em 18) de Lisboa para baixo. O Vit. Setúbal e o Farense, que sobe ao fim de 20 anos e ocupa a vaga do Portimonense.

O campeonato 2019-20 terminou com o FC Porto campeão numa liga em que o Benfica foi 2.º e o Sp. Braga terceiro. Sporting (4.ª) e Rio Ave (5.º) ficaram com os outros lugares europeus. A grande surpresa da I Liga foi o Famalicão, que ficou em 6.º lugar na tabela. Na próxima época, as vagas dos despromovidos Desp. Aves e Portimonense serão ocupadas por Farense e Nacional.

"O Vitória não é grande, é enorme"

O país chama-lhe "Setúbal", mas "eles" abrem a boca para dizer que são o "Vitória". Um clube com 110 anos de história. As três Taças de Portugal (1964-65, 1966-67, 2004-05) e a Taça da Liga (2007-08) fazem dos sadinos o sétimo grande do futebol português. O museu do clube que persiste debaixo das bancadas do estádio do Bonfim tem ainda um troféu inédito: a Taça Recompensa. Troféu que a população mandou fazer numa ourivesaria da cidade para oferecer ao clube, após a derrota com o Sporting na final da Taça de Portugal, em 1954. Ainda hoje se queixam de terem sido prejudicados.

Com o corvineiro (espécie de golfinho que habita no rio Sado) como mascote, o clube tem adeptos fiéis e um lema na ponta da língua: "O Vitória não é grande, é enorme." Mas até os mais fiéis têm um limite. E dos 20 mil sócios que chegou a ter, sobram cerca de nove mil. Um deles é o treinador José Mourinho, que ainda há dias manifestou o amor pelo clube de Setúbal.

Nascido a 20 de novembro de 1910, por iniciativa de três dissidentes do Bonfim Football Club - um dos clubes onde se praticava essa nova modalidade importada das ilhas britânicas chamada futebol -, recebeu o nome de Sport Vitória. A 5 de maio de 1911, passou a ser Vitória Football Club e dez dias depois fez o primeiro jogo de futebol. Perdeu por 7-0. A primeira vitória chegou mais de um ano depois, a 21 de junho de 1912, frente ao Lisboa Futebol Clube (1-0), num jogo que ficou marcado pela estreia das camisolas verde e brancas listadas, herdadas do Setubalense Sporting Clube e que jamais deixou de usar.

Foi um dos oito clubes fundadores do Campeonato Nacional da Primeira Divisão (hoje I Liga) em 1934-35, tendo ficado logo na primeira temporada em quinto lugar. Em 1942-43, consegue chegar à final da Taça de Portugal pela primeira vez depois de golear o FC Porto (7-0), mas perdeu com o Benfica (5-1). Seria a primeira de sete finais perdidas. Para a história ficou a invasão de cerca de dez mil vitorianos no Campo da Salésias, sinal de vitalidade do clube, que depois se estabeleceu na primeira divisão.

Com alguns dos melhores jogadores da história, a década de 60 foi gloriosa. Já depois de inaugurado o Estádio do Bonfim, a equipa foi quatro vezes seguidas à final da Taça, tendo ganho duas. Eram tempos do "Super-Vitória", como escrevia o DN da altura, e em 1971-72 quase chegou ao título com José Maria Pedroto no banco e Jacinto João, Félix Mourinho e José Torres em campo. O Vitória lutou pelo título com o Benfica, mas acabou em segundo lugar, naquela que é a melhor classificação de sempre do clube na primeira divisão. Seguiram-se jogos históricos com as melhores equipas da Europa em 11 participações nas competições da UEFA.

Sem se perceber muito bem porquê, o clube de Setúbal perdeu vigor depois do 25 de Abril. A liberdade de transferência roubou muitos dos bons jogadores ao clube, passando a jogar nos clubes que pagavam melhor. As décadas de 80 e 90 são de sobe de desce. O efeito ioiô só parou no início do século XX. Em 2007-08, os sadinos liderados por Carlos Carvalhal voltaram a saborear os bons tempos, ficando em sexto lugar, indo à final da Taça (perderam com o FC Porto) e conquistando a Taça da Liga frente ao Sporting. Desde então os sadinos sobrevivem...

Pedro Proença deixou palavra de conforto ao Desp. Aves e Portimonense

O Presidente da Liga Portugal, Pedro Proença, enalteceu "o fantástico trabalho e esforço realizado pelas Sociedades Desportivas em articulação com a equipa da Liga Portugal" para que o campeonato chegasse ao fim, apesar dos "desafios e obstáculos" que foi necessário ultrapassar, como a falta dos adeptos nas bancadas

Em comunicado, o responsável pelo organismo que gere o futebol profissional português elogiou o comportamento de todos os intervenientes. "Dentro do campo tivemos, mais uma vez, um campeonato marcado pela enorme competitividade, como é disso exemplo luta pelos lugares europeus e pela manutenção disputada até aos últimos segundos da prova, mas também pelo renovado despontar de novos e jovens Talentos que continuam a marcar o ADN da nossa Liga. O maior vencedor foi o futebol", referiu, deixando os "parabéns a todas as equipas que atingiram os seus objetivos e uma palavra de conforto ao Portimonense e ao Desp. Aves", para que possam regressar à Liga NOS em breve.

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