Rosell recorda prisão: "Deram-me quatro preservativos e quatro saquetas de vaselina"

Numa entrevista a um jornal espanhol, o antigo presidente do Barcelona recorda alguns episódios vividos durante os 643 dias em que esteve detido acusado de ter ocultado em paraísos fiscais cerca de 20 milhões de euros.

Sandro Rosell, antigo presidente do Barcelona, esteve 643 dias preso, mas entretanto já está em liberdade desde fevereiro de 2019. Numa entrevista ao jornal catalão El Mundo Deportivo, o antigo líder do Barcelona contou alguns episódios que viveu durante os quase dois anos de reclusão.

"Recordo-me que no primeiro dia nos deram quatro preservativos e quatro saquetas de vaselina. Fiquei ainda mais preocupado", referiu, lembrando ainda os dias mais duros que viveu: "Foram todos os dias em que o advogado chegava e dizia-me que não me tinham dado a liberdade condicional, sempre por risco de fuga, sem motivo aparente. Foram 13 vezes."

O ex-presidente do Barcelona contou ainda como arranjou forças durante estes dois anos e recordou o papel fundamental da sua família em todo este processo.

"No fundo acho que fiquei mais forte. Na prisão, ou se morre por dentro como pessoa ou se fica mais forte. O meu amigo Joan Besolí [sócio de Rosell que também esteve preso na mesma altura] foi muito importante e fundamental. Sem ele, não teria suportado tudo. A minha mulher Marta era muito forte e foi um pilar fundamental da nossa resistência. Mas os meus pais, os meus irmãos e os meus amigos também foram igualmente importantes", disse.

Sandro Rosell esteve na presidência do Barcelona entre 2010 e 2014, ano em que renunciou ao cargo, depois de ter sido acusado de fraude fiscal no âmbito da transferência do brasileiro Neymar para o clube da Catalunha.

Rosell foi depois preso preventivamente sob a acusação de ter ocultado em paraísos fiscais cerca de 20 milhões de euros, em proveitos obtidos com comissões ilegais nos direitos de transmissão de 24 jogos da seleção brasileira, e outros cinco milhões de um contrato de patrocínio com a Nike.

Em abril de 2019 acabou por ser absolvido ao abrigo do princípio 'in dubio pro reo' [em caso de dúvida é decidido em favor do réu].

Além de Sandro Rosell, também foram absolvidos outros cinco acusados no processo de lavagem de 20 milhões de euros de comissões pelos direitos televisivos de 24 jogos da seleção brasileira de futebol e de um contrato com a Nike.

O acórdão da Audiência Nacional, tribunal com sede em Madrid, referiu que depois de analisadas as provas produzidas em julgamento "não foi possível confirmar as alegações e, portanto, perante as dúvidas semeadas, prevaleceu o princípio de in 'dubio pro reo'".

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