Luis Díaz deu velocidade e esperança, mas dragões voltam a quebrar em Inglaterra

O FC Porto entrou na Liga dos Campeões com uma derrota no terreno do Manchester City por 3-1. A equipa de Guardiola teve de sofrer para ganhar.

Ainda não foi desta. Ao 21.º jogo em Inglaterra o FC Porto voltou a perder, desta vez com o Manchester City, por 3-1, no jogo que marcou o arranque do grupo C da Liga dos Campeões 2020-21.

O jogo 400 nas competições da UEFA foi ingrato para os dragões, que fizeram uma excelente primeira parte, na qual ergueram um muro em frente da sua baliza e foram assustando os citizens em contra-ataques perigosos. Acabaram por adiantar-se no marcador pela gazela Luis Díaz, mas depois a equipa de Guardiola deu a volta ao marcador e garantiu os três pontos em disputa.

Sérgio Conceição surpreendeu ao deixar de fora Otávio, que nem se sentou no banco de suplentes. O treinador do FC Porto montou uma estratégia assente na segurança defensiva, consciente de que o Manchester City tinha uma grande probabilidade de ter bola durante mais tempo. Nesse sentido, povoou a zona central do terreno para bloquear o jogo interior da equipa de Guardiola, que procura conduzir as suas jogadas de ataque através de passes curtos e em progressão.

Com uma linha de cinco defesas, onde se estreou Malang Sarr, e com Jesús Corona a funcionar como defesa-direito, o FC Porto apresentou depois Sérgio Oliveira e Mateus Uribe à frente do setor mais recuado, cabendo a Luis Díaz e Marega serem as setas apontadas à área contrária, com o apoio do jovem Fábio Vieira, a outra surpresa reservada por Sérgio Conceição.

E a verdade é que o Manchester City, com os portugueses Rúben Dias, João Cancelo e Bernardo Silva no onze, começou desde logo a sentir dificuldades em fazer fluir o seu jogo, o que fez com que o jogo se tornasse lento e previsível por parte dos ingleses.

Dragão merecia mais na primeira parte

A lição que os portistas tinham estudado contemplava uma grande concentração quando o adversário tinha abola, aproveitando depois para fazer saídas rápidas para o ataque, no momento certo, para surpreender o último reduto dos citizens.

E foi assim que aos 14 minutos, a boa colocação no terreno dos portistas permitiu a Luis Díaz intercetar um passe de Rúben Dias. O colombiano foi por ali fora e acabou por rematar cruzado e colocado, sem hipóteses para Ederson Moraes. Onze anos depois, os dragões voltavam a marcar em Inglaterra, depois de Mariano González em Old Trafford, com o Manchester United.

A estratégia de Sérgio Conceição revelava-se perfeita para anular o sistema de Guardiola. Só que não durou muito a festa portista, pois passados três minutos, num lance de insistência, Pepe derrubou Raheem Sterling na área. O árbitro letão Andris Treimanis mandou marcar penálti perante os portestos dos dragões que se queixavam de uma falta anterior do extremo inglês sobre Marchesín. Agüero encarregou-se da cobrança e fez o empate e o seu 40.º golo na Champions.

O resultado era muito lisonjeiro para o Manchester City, que não conseguia arranjar espaços para empurrar o adversário para trás. E a verdade é que, até ao intervalo, foi o FC Porto a criar mais ocasiões de perigo por Zaidu e Marega, que viu Kyle Walker evitar o golo.

Sai Luis Díaz, muro abre brechas e dragão perde potencia

Entrou melhor a equipa de Guardiola na segunda parte, logo com uma jogada rápida com Gündogan a rematar forte para uma grande defesa de Marchesín. Era o primeiro sinal de que os citizens estavam dispostos a mostrar algo diferente.

Acabaram por consegui-lo, é certo, mas bem se pode dizer que o ponto de viragem só se deu aos 55 minutos, quando Luis Díaz, que estava a ser o melhor jogador portista, a sair. Algo que só se explica com algum problema físico. Sérgio Conceição optou por colocar Wilson Manafá como defesa-direito, mudando Corona para extremo esquerdo.

A partir desse momento, os dragões perderam capacidade de sair de forma rápida e perigosa para o ataque e, ao mesmo tempo, viram começar a abanar a sua muralha defensiva, que deixou de ser tão consistente.

Contudo, acabou por ser na sequência de um livre direto, a punir falta de Fábio Vieira sobre Sterling, que Gündogan aproveitou para fazer o segundo golo através de uma cobrança magistral.

Este foi um golpe duro para o FC Porto, que via o Manchester City passar para a frente no marcador, tendo a sensação que merecia mais do jogo. Só que passados nove minutos, dois jogadores acabados de entrar construíram o golo que matou a partida: Phil Foden descobriu o espanhol Ferrán Torres na área que, com um remate cruzado, bateu Marchesín pela terceira vez.

Com o jogo perdido, Sérgio Conceição arriscou tudo, desfazendo a defesa a três e colocando mais gente na frente, mas a verdade é que a equipa perdeu ligação e até foi o Manchester City a estar mais perto de aumentar a vantagem, valendo por duas vezes Marchesín a negar os golos a Mahrez e Rodri.

FICHA DO JOGO

Estádio Ethiad, em Manchester
Árbitro: Andris Treimanis (Letónia)

Manchester City - Ederson Moraes; Kyle Walker, Rúben Dias, Eric García, João Cancelo; Gündogan​​​​​​ (Phil Foden, 68'), ​Rodri (Fernandinho, 85'), Bernardo Silva; Ryhad Mahrez, Agüero (Ferrán Torres, 68'), Raheem Sterling
Treinador: Pep Guardiola

FC Porto - Marchesín; Jesús Corona (Mehdi Taremi, 76'), Mbemba, Pepe, Malang Sarr (Evanilson, 80'), Zaidu Sanusi (Nanu, 76'); Sérgio Oliveira, Mateus Uribe; Fábio Vieira (Nakajima, 76'), Marega, Luis Díaz (Wilson Manafá, 55')
Treinador: Sérgio Conceição

Cartão amarelo a Kyle Walker (28'), Bernardo Silva (34'), João Cancelo (36'), Eric García (67'), Pepe (84'), Fernandinho (90')

Golos: 0-1, Luis Díaz (14'); 1-1, Agüero (20' pb); 2-1, Gündogan (65'); 3-1, Ferrán Torres (73')

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