Jorge Jesus: "Não vou terminar a minha carreira em Portugal"

Em entrevista à TVI, o treinador do Benfica assumiu estar motivado com o projeto que tem em mãos na Luz, mas garante que a reforma não está próxima, até porque tem o sonho de conquistar a Champions e o Mundial de Clubes.

Jorge Jesus, treinador do Benfica, concedeu esta quarta-feira uma entrevista ao programa "Dia de Cristina" da TVI, apresentado por Cristina Ferreira, na qual revelou o seu maior orgulho no futebol. "O meu maior orgulho é quando vejo os jogadores que passaram por mim dizerem que sou diferente, que nada tenho a ver com os outros. E sou diferente porque a minha forma de trabalhar é diferente", disse.

O técnico dos encarnados garantiu que a relação com os jogadores é de exigência. "Não sou um treinador paizão, nem gosto que os jogadores me tratem assim ou digam isso. Tenho uma forma de trabalhar e uma exigência que, por vezes, fere algumas suscetibilidades. No entanto, tenho uma forma de comunicar que os jogadores entendem bem e quando estou a exigir é porque quero o melhor deles e o bem deles", frisou.

Jorge Jesus destacou ainda a amizade com o presidente do Benfica, reafirmando que só Luís Filipe Vieira teria a capacidade de o convencer a regressar a Portugal. "Houve vários fatores que fizeram com que tivesse tomado esta decisão. Primeiro a pandemia, depois o projeto que o presidente do Benfica nos apresentou. Trabalhei seis anos com ele, foi o presidente que trabalhou mais tempo comigo e que melhor me conhece. O projeto dele é ambicioso, vencedor e pretende mudar o paradigma do que estava a acontecer desportivamente", sublinhou, deixando mais uma garantia: "Vim por Luís Filipe Vieira, pois estava fora dos meus planos voltar. Só ele me podia convencer."

O técnico de 66 anos admitiu que quando saiu do Benfica para o Sporting, em 2014, a relação com Vieira esfriou. "Nos primeiros seis meses foi complicado porque cada um de nos defendíamos os nossos interesses. Chateamo-nos, mas a amizade e o respeito era maior e reaproximamo-nos", revelou, deixando claro que ficou impressionado com o que encontrou no Benfica, seis anos depois. "As condições de trabalho que o Benfica tem no Seixal e no Estádio da Luz são únicas. Duvido que algum clube no mundo tenha igual. Alguns jogadores, quando estão nos balneários antes dos jogos, devem pensar que estão num hotel de cinco estrelas. Tenho de enaltecer porque é um trabalho de muita gente e, sobretudo, do presidente", sublinhou.

Jesus esclareceu ainda que só assinou contrato por dois anos porque "não quis que as pessoas pensassem que vinha para a reforma". "O presidente convenceu-me a assinar por dois anos porque o projeto da Europa não se consegue num ano apenas", disse, deixando uma certeza: "Tenho muitos projetos na minha cabeça e tenho a convicção de que não vou terminar a minha carreira em Portugal."

E, nesse sentido, deixou claro aquilo que lhe falta no currículo: "Falta-me ganhar uma Champions e um Mundial de Clubes, que estive quase a ganhar com o Flamengo. No entanto, a minha ambição neste momento é consolidar o projeto do Benfica para chegar a finais europeias."

Ainda sobre o momento em que trocou o Benfica pelo Sporting, Jorge Jesus esclareceu que na altura que tomou a decisão não teve a noção do impacto que iria ter. "Só depois de ter chegado ao Sporting é que tive noção de que isso mexeu com as pessoas sentimentalmente. Mudei porque achei que era o momento, como agora achei que era o momento de regressar ao Benfica", frisou, garantindo que se sente "grato" a todos os clubes que treinou.

E um deles foi o Flamengo, onde viveu "uma etapa muito bonita" que jamais se irá esquecer. E os primeiros tempos no Brasil, diz, "não foram fáceis" porque a equipa não começou bem, pelo que nessa altura a música de Mariza, "Melhor de Mim", lhe deu "muita força". "Tínhamos um ginásio e eu punha a música bem alto para ouvir. Ajudou-me muito. Aquela letra tinha muito a ver comigo e com a minha equipa técnica", disse emocionado. Aliás, às lágrimas surgiram sempre que na entrevista se falou dos pais.

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