Bruno de Carvalho solicita AG urgente da SAD. Leia a carta na íntegra

Ex-presidente e outros três acionistas questionam divulgação pública da auditoria da Baker Tilly e exigem ainda outro tipo de esclarecimentos a Frederico Varandas.

Bruno de Carvalho, em conjunto com um grupo de acionistas da SAD do Sporting, requereu através de uma carta enviada a Bernardo Ayala, presidente da Mesa da Assembleia Geral da sociedade dos leões, a realização uma AG extraordinária da SAD, na sequência da divulgação pública de uma recente auditoria feita às contas do clube pela Baker Tilly que "teve de imediato a sua divulgação pública, colocando à mercê de todos - incluindo os nossos rivais e adversários - informações sigilosas que colocam a Sporting SAD numa situação de enorme fragilidade".

De acordo com os signatários desta carta, a que o DN teve acesso, "esta forma de comunicação errática que a administração da Sporting SAD tem adotado, provoca prejuízos tremendos para a Instituição, fere as regras estabelecidas pela CMVM e coloca os acionistas numa situação de total perplexidade, preocupação e desagrado". Por isso, defendem, "quer a Sporting SAD, quer o acionista maioritário Sporting Clube de Portugal, quer os acionistas minoritários, têm o direito de ser esclarecidos de todas as situações e motivações que levaram à divulgação do já referido relatório assim como da sua verdadeira natureza".

Bruno de Carvalho, Alexandre Godinho, Fernando Carvalho e João Trindade exigem ainda que lhes sejam explicados vários outros assuntos, como o estado da renegociação da reestruturação financeira, todos os contornos do negócio efetuado com o Fundo Apollo, todos os contornos do negócio de 2 milhões efetuado com o Wolverhampton, todos os pormenores dos processos de defesa que dizem respeito aos jogadores que rescindiram os contratos com esta sociedade, entre outros temas.

Leia aqui a carta na íntegra:

"Exmo. Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral Dr. Bernardo Ayala. Como é do seu conhecimento, a Sporting SAD é uma sociedade cotada em bolsa com regras muito bem definidas pela CMVM. Como tal, a realização de auditorias ou relatórios têm de merecer sempre um especial cuidado, pois lidam com dados sensíveis e confidenciais desta sociedade ao qual vossa Excelência Preside à Mesa da Assembleia Geral.

Relembramos-lhe que foram feitas várias auditorias de Gestão nos mandatos anteriores e nenhuma delas teve a sua divulgação nos Órgãos de Comunicação Social. Foi a forma responsável e profissional com que se lidou com estas situações no passado que queremos ver repetida no presente e no futuro.

Mas a verdade é que o relatório efetuado pela Baker Tilly teve de imediato a sua divulgação pública, colocando à mercê de todos - incluindo os nossos rivais e adversários - informações sigilosas que colocam a Sporting SAD numa situação de enorme fragilidade.

Esta forma de comunicação errática que a administração da Sporting SAD tem adotado, provoca prejuízos tremendos para a Instituição, fere as regras estabelecidas pela CMVM e coloca os acionistas numa situação de total perplexidade, preocupação e desagrado.

Neste momento, quer a Sporting SAD, quer o acionista maioritário Sporting Clube de Portugal, quer os acionistas minoritários, têm o direito de ser esclarecidos de todas as situações e motivações que levaram à divulgação do já referido relatório assim como da sua verdadeira natureza.

São demasiadas as informações contraditórias que têm vindo a público que indicavam que esta seria uma auditoria forense, sendo que, pela leitura da mesma, os próprios autores o negam. É fundamental, voltamos a ressalvar, que seja dada toda a explicação sobre o enquadramento real deste relatório.
Urge também esclarecer todos os acionistas de assuntos de importância fulcral para esta Sociedade, tais como:

- Porque é que no relatório da Baker Tilly não existe qualquer referência nem dados do Gabinete Médico da Sporting SAD e quais são esses dados;

- Porque é que este relatório não englobou todo o período da Comissão de Gestão e respetiva Administração da Sporting SAD por ela escolhida, e quais são esses dados;

- As medidas de proteção perante os dados que foram indevidamente divulgados de forma pública, como por exemplo os salários dos atletas e um possível assédio por parte de outras equipas aos mesmos;

- O estado da renegociação da reestruturação financeira realizada pelo anterior mandato do qual apenas faltava formalizar e assinar;

- A política e medidas a adotar para a garantia imediata da manutenção da maioria da Sporting SAD pelo seu acionista de referência, o Sporting Clube de Portugal;

- Todos os contornos do negócio efetuado com o Fundo Apollo;

- Todos os contornos do negócio de 2 Milhões efetuado com o Wolverhampton;

- Todos os pormenores contratuais que levaram à decisão da existência de uma dívida da nossa Sociedade à Gestifute;

- Todos os pormenores dos processos de defesa que dizem respeito aos jogadores que rescindiram os contratos com esta sociedade;

- Todos os dados e contornos dos negócios que culminaram no regresso dos jogadores que tinham rescindido, a saber: Side Letters, prémios de assinatura, pagamentos a empresários, redução do valor de cláusulas de rescisão, novas condições contratuais, entre outros;

- Situação detalhada relativamente aos processos de rescisão unilateral com o treinador Sinisa Mihajlovic e com o gabinete médico;

- Posição oficial sobre a existência ou não de mensagens trocadas entre o atual Presidente do Conselho de Administração da Sporting SAD com jogadores que acabaram por rescindir, como por exemplo, Rafael Leão e seus familiares.

Agradecíamos que nos fossem prestadas todas estas explicações, assim como a convocação, com caráter de urgência, de uma Assembleia Geral Extraordinária, onde estes e outros assuntos possam ser discutidos com toda a transparência com todos os acionistas.

Aproveitamos para informar Vossa Excelência que iremos tornar pública esta nossa missiva.
Com cordiais Saudações Leoninas,

Os acionistas
Bruno de Carvalho
Alexandre Godinho
Fernando Carvalho
João Trindade"

Amnistia para sócios expulsos

Também nesta segunda-feira, um grupo de sócios do Sporting, todos com ligações a Bruno de Carvalho, pediu a Rogério Alves para marcar uma Assembleia Geral para analisar os casos recentes do clube e pedir amnistia para todos os sócios suspensos involuntariamente ou expulsos.

"Vimos por este meio apresentar uma solução para pacificar o Clube. Assim, exortamos os atuais órgãos sociais que para além de convocarem uma Assembleia Geral onde os sócios possam ser esclarecidos e ouvidos sobre todos estes acontecimentos, promovam uma amnistia que absolva todos os sócios suspensos involuntariamente e expulsos do Clube. Todos os Sportinguistas deveriam ser trazidos novamente para o seio do Clube, para os camarotes e para as bancadas de Alvalade e do nosso Pavilhão, sem embargo de poderem continuar a defender as suas ideias em termos daquilo que considerem que deve ser a gestão do Sporting Clube de Portugal e da Sporting SAD", pode ler-se na carta a que o DN teve acesso e que é assinada por João Trindade - sócio no 463, José Carlos Estorninho - sócio no 1390, Fernando Carvalho - sócio no 4737, Fernando Elias Santos - sócio no 343, Vitor Afonso - sócio no 7962, Subtil de Sousa - sócio no 8119, Erik Kurgi - sócio no 13.352, Álvaro Cabral - sócio no 22691 e Luís Paulo Rodrigues - sócio no 82276.

Estes signatários queixam-se ainda que a atual direção "tem dado provas de uma enorme incapacidade para unir o Sporting Clube de Portugal e para mobilizar todos os sportinguistas em torno dos objetivos magnos do clube e da Sporting SAD". "Agora, cremos que é fundamental alterar este caminho, dando sinais inequívocos de que se quer mesmo unir o Sporting Clube de Portugal e não assumir uma gestão ressabiada contra o passado", acrescentam.

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