Armadilha do Braga derruba Benfica vulnerável

Equipa de Jesus sofreu nove golos nos últimos três jogos. Grande mérito do Braga: quarto triunfo em 74 jogos na Luz, o segundo consecutivo, a marcar três golos primeira vez. E 2.º lugar em igualdade pontual com o Benfica. Ambas a quatro pontos do líder Sporting

Carlos Carvalhal nunca tinha ganho a equipas de Jorge Jesus em oito jogos, nem nunca tinha ganho na Luz. O Braga só tinha ganho duas vezes este confronto como visitante em mais de 60 jogos e nunca tinha marcado três golos. Mas três golos ao Benfica, nesta fase da época, é algo banalizado pelos últimos três jogos: Boavista, 3-0; Rangers, 3-3; Braga 2-3.

Neste contexto de um Benfica muito vulnerável a defender, Jorge Jesus colocou Samaris (estreia a titular esta época) à frente de uma dupla de alto calibre, mas fraco rendimento (Otamendi e Vertonghen - o belga até evitou males maiores). E Carvalhal trocou as voltas ao adversário, deixando o Benfica pressionar alto e não saindo em posse de trás.

Isto resultou num jogo morno, com o Benfica cheio de bola e cheio de nada. A única ocasião de golo surgiu num canto, com os centrais a construírem no ar (Otamendi) e à frente da baliza (Vertonghen quase marcava numa acrobacia que Matheus parou comdificuldade). Isto foi aos 10 minutos.

O Braga fingiu-se de dormente até sair a primeira vez com um alto grau de certeza. Foi aos 38", com Galeno a quebrar rins pelo caminho e a solicitar Iuri Medeiros na área. O esquerdino perdeu tempo, quando podia ter visado a baliza, deu em Esgaio, mas a defesa do Benfica tinha já recuperado a compostura.

Segundos depois, golo. Primeiro remate, marcador aberto. Iuri recebeu à entrada da área, tirou dois adversários da frente e rematou em arco para um belo golo.

O Benfica estava a ser facilmente apanhado na armadilha engenhosa de um Braga com muita competência e qualidade. Aos 50", a defesa do Benfica voltou a desafinar na linha de fora de jogo, bola lançada nas costas e Francisco Ramos bateu Vlachodimos.

O 0-2 parecia deixar o Benfica muito longe da discussão. E, então, para tornar tudo ainda mais longínquo, Vlachodimos e Otamendi ficaram a olhar um para o outro numa bola bombeada. O central parece estará dizer ao guarda-redes que era dele, o grego demorou a reagir e Francisco Ramos aproveitou para levar a bola até à baliza.

O bis de Ramos colocou o Benfica numa posição muito familiar esta semana: o adversário na frente com três golos marcados. Primeiro, no Bessa (3-0, ganhou o Boavista), depois na Luz com o Rangers (recuperação de 1-3 para o 3-3 obtido já nos descontos). E esta noite, outra vez.

Jesus tinha tirado Samaris e metido Gabriel ao intervalo e minutos antes do 0-3 lançou Grimaldo, Taarabt e Seferovic. E o lateral espanhol e o avançado suíço quase garantiam nova fezada à equipa de Jorge Jesus.

Primeiro, Seferovic reduziu a cruzamento de Grimaldo; depois, novamente golo do suíço a passe do espanhol. E o 3-3 quase apareceu, mas ao passe de Grimaldo, Waldschmidt não fez de Seferovic (atirou para fora em excelente posição).

Vlachodimos ainda negou o quarto golo ao Braga, num remate subtil de Galeno e Seferovic ainda festejou, por instantes, o hat-tric, já nos instantes finais. Mas estava fora de jogo.

Resumindo, o Benfica sofreu três golos em três jogos consecutivos e ficou a quatro pontos do líder Sporting, somando a segunda derrota consecutiva, depois de cinco vitórias.

Pelo contrário, o Braga tem os mesmos pontos mas com a quinta vitória consecutiva após duas derrotas na abertura da Liga. É a quarta vitória dos arsenalistas na Luz em 74 jogos (2020/21: 2-3, Liga; 2019/20: 0-1, Liga; 2014/15: 1-2, Taça; 1954/55: 0-1, Liga). A primeira de Carvalhal, que em dez jogos somou ainda sete derrotas e dois empates.

A Liga volta dentro de duas semanas, após paragem para compromissos das seleções e jornada da Taça de Portugal.

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