A covid-19 parou a caravana de Birralho, mas não travou apoio a Miguel Oliveira

Grande Prémio de Portugal não tem público ao contrário da F1. Fã número um do piloto de Almada, Rui Birralho, vai ter de ver a corrida pela televisão, e ponderar se mantém caravana de apoio em 2021.

A turma 88 ansiava pelo Grande Prémio de Portugal de MOTOGP para apoiar aquele que os move num apoio sem igual há pelo menos três anos: Miguel Oliveira. O Governo e a covid-19 roubaram-lhes a possibilidade de montar um "esquema gigantesco" no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão para a estreia do piloto de Almada nas pistas portuguesas. "Iria ter o maior apoio do mundo se não fosse a pandemia e o Governo não proibisse adeptos nas bancadas, mas espero que ele sinta que há um País inteiro a torcer por ele desde casa", confessou ao DN Rui Birralho, conhecido como fã número um do número 88 da KTM.

A estrutura de apoio organizado ao piloto português nasceu da paixão pela velocidade do emigrante português na Suíça, natural de Vila Verde (Braga). O grupo começou com oito elementos e já tem mais de um milhão de seguidores. Uma vasta legião de fãs coordenada quase sempre por Rui Birralho. Chegou a juntar mais de 300 fãs nas bancadas, em Valência, entre elementos da turma 88 e elementos do Miguel Oliveira Fan Club oficial, que é gerido pelo pai (Paulo Oliveira) e tem já 1600 sócios.

Rui viu Miguel Oliveira crescer entre curvas apertadas, acelerações, quedas, metas e pódios. Viu-o chegar ao MOTOGP, algo que ele se atreveu a vaticinar estava ele ainda no Moto3. Foi por isso um grande orgulho quando o viu chegar à elite do motociclismo em 2019. "Eu ia ver as corridas e ouvia muita gente a perguntar quem era o 44 (agora é o 88). Quase ninguém sabia que era o Miguel e era português, eu resolvi mudar isso", confessou ao DN o emigrante português na Suíça, que passou a seguir o piloto de caravana para todo o lado.

A caravana foi a casa de Rui durante muitos e longos dias. De tanto o acompanhar no Moto2, um dia resolveu pedir-lhe autorização para utilizar a imagem dele e a partir daí passou a dar uma voz mais profissional à falange de apoio do piloto português. Uma das missões dele era espalhar bandeiras portuguesas pelo percurso, para "dar moral ao Miguel" e "mostrar ao mundo que havia um português em prova".

Trabalhar na Suíça, ir a Vila Verde buscar a caravana e fazer-se à estrada

Isto ao mesmo tempo que sonhava ver uma dessas bandeiras no pódio de uma qualquer corrida do MOTOGP. E quando ela foi preciso, em agosto deste ano o fã número 1 do Falcão, como lhe chama, por voar no asfalto, não estava lá. "Imagina o que me custou ver o Miguel fazer história pela televisão?", questionou o emigrante, referindo-se à vitória do português no GP da Áustria e culpando a pandemia por tal "dor no coração". Felizmente havia um comissário português na prova austríaca e tinha uma bandeira para dar ao português.

Agora, chegado o momento por que esperava desde que a prova rainha da velocidade deixou as pistas portuguesas em 2012, Rui também não vai poder lá estar. O governo decidiu que o Grande Prémio de Portugal não teria público nas bancadas, depois dos aglomerados que se viram durante a prova de F1 há quatro semanas. A covid-19 alterou o calendário do MotoGP - reduzido para 13 provas no continente europeu - e fechou as portas ao público, obrigando os fiéis seguidores de Miguel Oliveira a estacionarem a moto, ficarem em casa e seguirem as corridas pela televisão.

Miguel pode não ter adeptos nas bancadas, mas apoio não tem faltado dentro e fora do autódromo. O piloto foi recebido por dezenas de motards na chegada a Portimão. Alguns tinham bandeiras da turma 88, como mostra um vídeo partilhado na página de Facebook do Miguel Oliveira Fan Club. Algo que deixa Birralho feliz e orgulhoso. Mesmo que ele não possa mais andar atrás do Miguel, seja por culpa do covid-19 ou da dura vida de emigrante, é bom ver que a turma 88 pegou de estaca e já é maior do que o criador.

Sim, a paixão pelo motociclismo e a adoração por Miguel Oliveira podem não ser suficientes para continuar com a caravana. "Eu trabalho na Suíça, mas quando havia eventos ia a Vila Verde buscar a caravana e punha-me a caminho do local das provas. Por vezes demorava cinco dias a chegar. Era cansativo, não dormia muito...", confessou Rui Birralho, que tanto ia vê-lo a Espanha, França, Itália, Alemanha ou Áustria.

A prova rainha também exige "outra disponibilidade financeira". Os bilhetes não são baratos - em Portugal foram colocados à venda bilhetes entre os 55 e os 185 euros - além de todas as outras despesas com deslocações e horas de sono perdidas numa vida de emigrante já por si muito dura. Sacrifício que Rui faria por gosto se a pandemia não o tivesse impedido. Agora admite que a covid-19 pode ter dado um valente empurrão para estacionar a caravana de vez, mas jamais travará o apoio a Miguel Oliveira.

O mais rápido a abrir e com recorde da pista de Portimão

O piloto português da Red Bull KTM Tech3 mostrou-se "contente" com o desempenho no primeiro dia do Grande Prémio de Portugal de MOTOGP, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, reconhecendo que tinha "margem para melhorar", depois de terminar os primeiros treinos livres na 13.ª posição a 529 milésimos do mais rápido do dia, o francês Johann Zarco (Ducati).

Miguel Oliveira foi o mais rápido na sessão de sexta-feira de manhã, com a volta mais rápida e o recorde da pista. "É uma sensação fantástica. Mesmo sem público, de cada vez que saio para a pista sinto-me motivado para fazer bem. É essa a sensação que reina em cima da mota. Mesmo sem o público, há sempre uma sensação de apoio", disse o piloto português, confessando: "Foi uma boa experiência descobrir Portimão de MOTOGP pela primeira vez. Sou suspeito, mas é das pistas mais divertidas no calendário."

O português enfrenta a última prova do calendário no 10.º lugar do mundial de pilotos.

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