"Acredito que podemos ganhar o Campeonato do Mundo"

Aos 34 anos, o presente de Danny joga-se no Slavia Praga, mas o seu passado russo no Zenit valeu-lhe uma estátua em São Petersburgo. Apesar de estar fora da seleção portuguesa, o extremo senta-se na bancada e será mais um a torcer por Portugal, equipa que coloca como candidata ao título.

Mudou-se do Sporting para o Zenit muito jovem. Tendo em conta as diferenças culturais entre Portugal e Rússia, como se explica a sua rápida adaptação?

Acho que o apoio da minha família foi fundamental. Quando fui para a Rússia tinha 20 anos e como levei os meus filhos gémeos com 11 meses e a minha mulher, tudo isto acabou por ajudar-me. Eu e a minha família adorámos a Rússia. O primeiro ano foi muito difícil, claro. Há 14 anos, a Rússia estava a desenvolver-se, mas agora é dos melhores países que as pessoas podem visitar.

Como é que é para um português ter uma estátua erigida em sua homenagem numa cidade como São Petersburgo?

Para mim é um espetáculo, um orgulho. Foram muitos anos ao melhor nível, a dar o máximo pelo meu clube, pela própria Rússia porque representava o Zenit na Liga dos Campeões e na Liga Europa. Foi bonito porque eles gostaram do que eu fiz lá e presentearam-me.

Tendo o Danny nascido na Venezuela, onde ficou até aos 14 anos, ter jogado por Portugal foi a decisão mais certa?

Foi a escolha certa. Joguei um Mundial com a seleção de Portugal, acho que qualquer jogador gostaria de estar presente numa competição como essa. É verdade que na altura estava à espera da seleção da Venezuela, mas o selecionador nunca me chamou. Só me tentaram convocar quando já tinha representado Portugal. No fim de contas, optei bem.

Foi precisamente em 2010 que Portugal e Espanha se defrontaram pela última vez em Mundiais, jogo que acabou com uma derrota lusa. O Danny jogou esse encontro, do que é que se lembra?

Na altura até estávamos a fazer um bom jogo, a controlá-lo, mas pronto. Tivemos o azar de, na segunda parte, o David Villa fazer aquele golo. Acho que desde essa altura Portugal cresceu bastante e tem demonstrado que merece ser respeitado.

Há dois dias a Espanha teve uma baixa de peso com a surpreendente saída de Julen Lopetegui do cargo de selecionador. Como é que acompanhou o caso?

Foi ridículo, foi tudo malfeito entre a seleção, o Real Madrid e Julen Lopetegui. Poderiam ter feito um pré-acordo, acabava o Mundial e iniciava-se um novo ciclo. Acho que foi tudo errado, mas espero que isto seja bom para Portugal.

Crê que esta situação terá influência no jogo entre Portugal e Espanha de hoje?

Não acredito muito. Estás num Mundial, todos pensam em ganhar e acho que não vai mudar nada. Pode é mudar algo com a mentalidade do Hierro, ele falar algo diferente na palestra antes do jogo. Agora, ele também tem de ser inteligente e não mudar muita coisa, apostar na equipa que o Lopetegui escolheria. Se trocar tudo agora não vai resultar.

Que jogo podemos esperar entre Portugal e Espanha?

Um jogo de muita qualidade porque são duas seleções com alguns dos melhores jogadores da Europa. Cada equipa sabe de onde pode vir o perigo. Vai ser um jogo bonito, de certeza. E espero que Portugal ganhe, para começarmos da melhor forma o Mundial.

O Cristiano Ronaldo de 2010 com quem jogou no Mundial é muito diferente do atual?

Sim, tem evoluído para melhor. Tem demonstrado isso a cada ano que passa e todos esperam que faça um grande Mundial. A experiência traz-lhe algo diferente, perde numas coisas mas procura melhorar outras. É muito inteligente e sabe bem aquilo que faz.

E que papel tem tido Fernando Santos na construção desta seleção?

Eu acho que é um treinador bastante importante para Portugal, convém lembrar que ganhou um Europeu. É dos melhores treinadores na forma de conversar com os jogadores, na forma como os dirige e antecipa o que vai acontecer durante os jogos.

Fala-se de vários candidatos ao título como Espanha, Argentina, Brasil, mas não de Portugal. Em que patamar está esta seleção?

Portugal foi campeão europeu, tem jogadores nas melhores equipas do mundo, por isso eu acredito que possa ganhar o Mundial. É claro que às vezes é preciso ter sorte em alguns jogos. Agora, Portugal está ao mesmo nível da Alemanha, Brasil e da Argentina.

E como será a Rússia como anfitriã deste Mundial?

Vai correr de forma perfeita, eles estão preparadíssimos. Vai ser um bonito Mundial.

Ainda acalenta esperanças de voltar a vestir a camisola da seleção nacional?

Ninguém fecha a porta à seleção. Agora, temos de ser realistas, vou fazer 35 anos e para mim é difícil voltar a ser chamado. Mas ninguém fecha a porta.

A carreira de um jogador passa a correr e de repente temos jovens de talento e garra a chegar à seleção. Como é que é para os mais velhos ver chegar esta juventude?

Ser profissional é aquilo com que todos sonham e temos de aproveitar ao máximo. A carreira de futebolista é curta mas muito bonita. Se fizeres com paixão e alegria, pode passar rápido mas irá fazer-te feliz. Quando eu tinha 17 anos cheguei à equipa principal do Marítimo e deparei-me com aquelas feras todas de 30 e tal anos. É normal que as gerações mudem com o tempo.

Vai à Rússia assistir a algum jogo da seleção portuguesa?

Estou a pensar ir, mas ainda não tenho nada confirmado.

Que mensagem deixa aos jogadores antes do jogo com a Espanha?

Façam aquilo que sabem fazer melhor: jogar futebol. Há muitos como eu a acreditar nesta equipa. Vamos ganhar!

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