Polícia Judiciária acabou com grupo "Uber de Caneças"

Ministério Público acusou 28 pessoas, entre as quais o ex-jogador da seleção nacional Abel Silva, por envolvimento no negócio

Ligados ao WhatsApp, os três jogadores do Oriental - João Carvalho (entretanto transferido para o At. Malveira), Hugo Grilo e Tiago Mota - entretiveram-se largos meses com conversas sobre manipulação de resultados da II Liga e do próprio clube que representavam na época passada. Para azar dos três, a investigação da Polícia Judiciária no processo Jogo Duplo recuperou as conversas do grupo "Uber de Caneças", expondo-os ao esquema de adulteração dos jogos devido às apostas online. Além dos três, o Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa acusou mais 25 pessoas suspeitas de terem aderido ao esquema.

Outro dos acusados pelo DIAP de Lisboa foi Abel Silva, antigo jogador do Benfica e das seleções nacionais (foi um dos campeões do mundo de juniores, em 1989, sob o comando de Carlos Queiroz). O ex-futebolista foi apanhado em contactos com Carlos Silva, membro dos Super Dragões e conhecido como "Aranha", e com Gustavo Oliveira, treinador das camadas jovens, para aliciar jogadores do Oriental. O pedido incluía uma verba de 30 mil euros para a derrota e para a equipa sofrer, pelo menos, três golos com o Leixões. É que no mundo das apostas, os pormenores do jogo também rendem dinheiro.

O resultado não foi o esperado, pois o Leixões, ainda que conseguisse a vitória, só marcou um golo. O que, segundo a acusação do DIAP, levou a que Abel Silva tivesse de devolver o dinheiro aos "agentes" portugueses de três cidadãos malaios, identificados na peça do Ministério Público como os verdadeiros mentores do esquema. Por diversas ocasiões, os suspeitos foram vigiados pela Unidade Nacional contra a Corrupção em contactos com os seus "agentes" portugueses ou a acompanhar "diligências" que o grupo fazia, como abordagens a jogadores.

De acordo com o MP, a investigação demonstrou que "no essencial está indiciado que, no período compreendido entre agosto de 2015 e até 14 de maio de 2016, os arguidos constituíram um grupo dirigido à manipulação de resultados de jogos das I e II Ligas nacionais de futebol (match-fixing) para efeito de apostas desportivas internacionais". "Para tanto aliciaram jogadores de futebol em Portugal para que estes interferissem nos resultados das competições desportivas em prejuízo das equipas que representavam, da integridade das competições, defraudando sócios e investidores dos clubes, espectadores e patrocinadores", continuou o Ministério Público.

Segundo a acusação, "os arguidos auferiam vantagens patrimoniais, seja porque agiam a troco do pagamento de quantias monetárias", em regra não inferiores a 5 mil euros, "seja porque lucravam com as apostas que efetuavam (tanto em sites internacionais como no PLACARD), já que sabiam de antemão qual a equipa vencedora dos jogos".

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