Ogier reencontra os triunfos em Portugal e iguala a lenda de Alén

Francês, que se estreou a ganhar em Portugal, em 2010, venceu pela quinta vez nas estradas lusas, aumentou para 40 os ralis conquistados e reforçou liderança no mundial

Cinco meses e cinco ralis depois, Sébastien Ogier pôs fim ao seu maior jejum de vitórias no WRC desde que passou a dominar o Mundial de Ralis, em 2012, ano que lhe valeu o primeiro dos quatro títulos consecutivos com a Volkswagen, numa parceria perfeita que terminou no final do ano passado, com o anúncio do abandono da marca alemã. Nesta época, ao volante de um Ford da equipa M-Sport, Ogier entrou a ganhar no campeonato, vencendo o rali de Monte Carlo, mas desde então acumulava um jejum de vitórias que passou por quatro ralis diferentes, da Suécia ao México, da Córsega (França) à Argentina. Até ontem.

E que melhor palco do que o do rali de Portugal para assinalar o regresso do piloto francês às vitórias? Foi no rali português, então ainda nas estradas do Algarve, que Ogier ganhou pela primeira vez uma prova do WRC, em 2010, era ainda o jovem delfim de Sébastien Loeb na Citroën. Repetiu as vitórias em Portugal em 2011, 2013 e 2014, o que o deixou a um triunfo apenas de igualar o mítico finlandês Markku Alén como recordista de vitórias no rali de Portugal.

Mas desde a mudança da prova para o Norte do país que Ogier não acertava com as vitórias, tendo visto o triunfo fugir para Latvala em 2015 e para Kris Meeke em 2016. Neste ano, numa altura em que o mundial WRC está na sua fase mais emotiva e aberta que Ogier já conheceu, o francês encontrou a fórmula para vingar nas classificativas nortenhas e reencontrou-se com as vitórias em Portugal, confirmando o rali luso como uma prova talismã na sua carreira e igualando finalmente o penta de vitórias que era exclusivo de Markku Alén - o finlandês venceu em 1975, 1977, 1978, 1981 e 1987.

O tetracampeão do mundo, que alcançou também a 40.ª vitória da sua carreira no Mundial - impondo-se ao belga Thierry Neuville e ao espanhol Dani Sordo, ambos em Hyundai i20 -, espera que este quinto triunfo em Portugal seja o impulso definitivo para outro penta, o de títulos mundiais. "É uma vitória simbólica, mas foi uma luta dura até ao fim. Achava que não conseguia lutar pelo triunfo, por isso é ainda mais saboroso", contou, visivelmente feliz, na cerimónia final, em Matosinhos.

"Acho que é um bom sinal para o resto da temporada", frisou Ogier, que se tornou ainda o piloto com mais pontos conquistados no Mundial, com um total de 1645, mais 20 do que o compatriota Sébastien Loeb, nove vezes campeão do mundo e vencedor de 78 provas.

O francês agradeceu especialmente aos portugueses da sua equipa, como Miguel Cunha, mecânico chefe, e Bernardo Fernandes, engenheiro, que "ficaram muito orgulhosos" por esta vitória em Portugal. "Foi fantástico. Temos de estar gratos pelo que fizeram neste novo carro (...) quando chegámos ao service park estavam a chorar como crianças, percebemos que era especial para eles", acrescentou o navegador Julien Ingrassia.

Na liderança desde a secção de sábado à tarde, após o despiste do colega de equipa Ott Tänak na 12.ª especial, em Amarante, Ogier só teve de segurar a vantagem nas quatro especiais de domingo, todas no concelho de Fafe.

"É uma sensação ótima. É fantástico voltar ao primeiro lugar do pódio outra vez. Tive um carro novo em Monte Carlo e ganhámos, outro novo aqui e voltámos a ganhar. Espero que me possam dar um novo em cada rali", afirmou, bem-disposto, Ogier, que regressou às vitórias depois de três terceiros lugares e um quarto na Argentina e aumentou para 22 pontos a vantagem sobre Neuville na liderança do Mundial.

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