Mais competitivo e emocionante: Portugal marca o tom do Mundial

Rali de Portugal arranca hoje, com o Mundial de ralis ao rubro. "Vai mostrar quem pode realmente lutar pelo título", perspetiva Rui Madeira. Ogier persegue recorde de Alén

Foi-se a Volkswagen, chegou uma competitividade como não se via desde o início do milénio. Sébastien Ogier (Ford M-Sport), Jari--Matti Latvala (Toyota), Kris Meeke (Citroën) e Thierry Neuville (Hyundai) sucedem-se no topo do pódio, sem que alguém se conserve por muito tempo na dianteira. Irá a imprevisibilidade manter-se até final da época? O Rali de Portugal - que decorre de hoje a domingo, no Norte do país - marca o tom do Mundial. "Com o campeonato ao rubro, será um indicador para as próximas provas", perspetiva, ao DN, Rui Madeira, uma das antigas estrelas da principal prova automobilística nacional.

Mais leves, mais largos e mais potentes, os novos carros do WRC (World Rally Championship) devolveram a emoção ao campeonato. Quatro pilotos, de quatro equipas diferentes, triunfaram nas cinco primeiras provas do Mundial - Ogier em Monte Carlo, Latvala na Finlândia, Meeke no México, Neuville na Córsega e na Argentina. Desde 2001 que não acontecia tanta rotatividade. "Nos últimos anos, só ganhava a Volkswagen. Agora, o campeonato está muito mais emocionante", anui Rui Madeira.

No entanto, o Rali de Portugal (que arranca ao final da tarde de hoje, com uma breve superespecial, em Lousada) é que vai confirmar se a competitividade se mantém ou se daqui para a frente alguém - o tetracampeão Ogier ou qualquer dos seus desafiantes - se destaca na corrida pelo título mundial. "Este será o primeiro rali na Europa em condições normais, mais ao estilo do que vão encontrar no resto do campeonato. Tem boas condições climatéricas, um estilo duro e não há questões de altitude. Por isso, vai ser interessante ver qual a marca vencedora e perceber quais podem realmente lutar pelo título", diz Rui Madeira.

O francês Ogier, que ficou órfão da Volkswagen e teve de continuar a carreira numa equipa privada (M-Sport), tem o favoritismo teórico: é tetracampeão em título, lidera o Mundial (102 pontos, 16 de avanço sobre o finlandês Latvala, 18 sobre o belga Neuville), e corre por uma histórica quinta vitória em Portugal, que lhe permitiria igualar o recorde de triunfos do finlandês Markku Alén. "Eu perspetivo uma luta entre Ogier e Neuville, sem excluir os outros. A Hyundai está forte, a Ford [M-Spoer] poderá dar a volta aqui em Portugal e a Toyota também está desejosa de tornar a ganhar", explica o piloto almadense, o primeiro português a conquistar um título mundial de ralis (de classe de Produção, em 1995) e um dos últimos lusos a ganhar em casa (em 1996) - depois dele, apenas Armindo Araújo o conseguiu (2003, 2004 e 2006).

Decisões guardadas para sábado

Rui Madeira, que agora se divide entre a vida de arquiteto e a participação esporádica em provas automobilísticas, prevê mesmo um Rali de Portugal "muito competitivo", em que "o dia de sábado" (2.ª etapa) "tem tudo para ser decisivo". "A passagem pela serra da Cabreira (Cabeceiras de Basto) pode ser uma referência importante", nota o piloto semirretirado.

O regresso à serra da Cabreira é mesmo uma das principais novidades da 51.ª edição do Rali de Portugal, junto com as passagens por Luilhas e Montim e as street stage de Braga, pequenas classificativas urbanas, que prometem espetáculo, à imagem do que aconteceu no ano passado no Porto. Como nas edições anteriores, a prova apenas se passa entre Douro e Minho, concluindo-se no mítico salto da Pedra Sentada (Fafe).

Apesar das saudades de outras passagens históricas do Rali de Portugal (pelo centro e Sul do país), Rui Madeira elogia o formato "interessante" da edição de 2017, que marca o 50.º aniversário da competição. Longe vão os tempos de vencedores como Carpinteiro Albino (1967), Francisco Romãozinho (1969), Joaquim Moutinho (1986), Rui Madeira e Armindo Araújo: salvo casos esporádicos (sete em 50), são os estrangeiros que mandam. "Todos gostam de competir em Portugal. Pelo simbolismo e fama de melhor rali do mundo, é uma motivação especial para os pilotos", aponta Madeira.

Neste ano, há 65 inscritos (a que se juntam 20 clássicos nas street stages de Braga). Entre eles estão 14 pilotos oficiais, três carros WRC de versões pré-2017, e 22 portugueses - lista encabeçada por Miguel Campos (Skoda Fabia R5, da classe WRC2) e que inclui Joana Barbosa e Sofia Mouta, única dupla feminina na competição - que tem transmissão televisiva nos canais RTP.

"Só espero que seja um excelente rali e que o público se porte bem - sem incidentes - como nos últimos anos", pede Rui Madeira. Afinal, "uma grande luta pela vitória" - como se perspetiva no Mundial de ralis mais competitivo e emocionante dos últimos anos - "também dignifica a própria prova".

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