João Mário já é do Benfica. Sporting e Inter vão para tribunal

O médio já trabalha de águia ao peito, mas leões falam de "expediente" usado por Inter e jogador para fintar cláusula antirrivais. Os italianos estão indignados com os leões e também vão para a justiça.

João Mário é, desde ontem, jogador do Benfica. O médio de 28 anos assinou contrato válido por cinco temporadas, foi anunciado e começou de imediato a trabalhar às ordens do treinador Jorge Jesus. "Muito feliz pelo primeiro dia como jogador do Benfica. Chego com muita vontade, determinação e desejo de dar 200% em todos os momentos. Que seja o início de uma grande e longa caminhada juntos", escreveu o jogador nas redes sociais.

Refira-se que João Mário esteve, anteontem, em Itália onde foi acertar a desvinculação com o Inter Milão, numa operação que surpreendeu o Sporting, que reclama uma indemnização de 30 milhões de euros por conta de uma cláusula antirrivais inserida no contrato de venda dos direitos do jogador em 2016. Com rescisão, a cláusula antirrivais terá, em teoria, ficado sem efeito, e internacional português ficou livre para assinar pelo Benfica.

Contudo, este é um caso que promete dar que falar, pois o Sporting está determinado a ir até às últimas consequências para salvaguardar os seus interesses, afinal não compreende por que razão os nerazzurri recusaram a proposta leonina de cinco milhões de euros, dos quais dois milhões eram por objetivos, para aquisição dos direitos desportivos e económicos do atleta, para agora o verem sair, teoricamente, a custo zero. A proposta, na altura, ficou aquém da oferecida pelo Benfica, que terá chegado aos 7,5 milhões.

Em comunicado, os leões recordaram que, em 2016, o Inter e João Mário "comprometeram-se a efetuar um pagamento adicional de 30 milhões de euros", que seria acionado se o jogador "viesse a ser inscrito a favor de clubes portugueses". Nesse contexto, recordam que a rescisão contratual entre as duas partes surge depois de o Inter ter "recusado uma proposta" dos leões. "É convicção do Conselho de Administração da Sporting SAD que foi usado um expediente para que o Inter e o jogador se procurassem eximir ao que contrataram. Esse expediente só ilustra que todas as partes sabiam as obrigações que assumiram", justifica o Sporting, garantindo que irá "defender os seus interesses em sede própria, responsabilizando os intervenientes pelos danos causados e pelo incumprimento das obrigações assumidas".

Ou seja, os leões vão seguir a via judicial para que o Inter pague os 30 milhões de euros da cláusula antirrivais. Só que os italianos também não vão ficar de braços cruzados e, em comunicado, consideraram "inaceitáveis, extremamente sérias e, sobretudo, sem fundo verdadeiro" e, como tal, o Inter garante que irá "proteger a sua imagem e reptação nos fóruns apropriados".

Na rota de Futre e Simão

João Mário vai usar na Luz o número 17, o mesmo que envergou na época passada no Sporting, onde esteve emprestado pelo Inter, e se tornou importante na conquista do título leonino, que quebrou um jejum de 19 anos.

O médio era um dos pedidos de Jorge Jesus para a nova temporada para fazer face a uma das principais lacunas que o técnico tinha identificado no plantel - o meio-campo. João Mário tornou-se na contratação mais sonante do Benfica até ao momento, depois de anunciados os atacantes Gil Dias (ex-Mónaco) e Rodrigo Pinho (ex-Marítimo).

Este é só mais um exemplo no já extenso rol de futebolistas formados pelo Sporting que, mais tarde, jogaram no Benfica. Os casos mais emblemáticos foram os de Simão Sabrosa e Paulo Futre. O primeiro acabou por se tornar ídolo e capitão e, esta época, regressou mesmo à Luz para ser diretor para as relações internacionais, tendo sido contratado pelo Benfica em 1999, depois de duas épocas no Barcelona, clube que o tinha contratado ao Sporting com apenas 20 anos. Neste caso, os leões não exerceram a opção de compra e o jovem extremo "fugiu" para o rival, num caso semelhante ao de Paulo Futre, que em 1993 deixou o Atlético de Madrid, tendo o Benfica ganho a corrida ao Sporting.

Há ainda casos como os de Carlos Martins, Yannick Djaló, Marco Caneira, Dani, Jorge Cadete ou Fernando Mendes... João Mário é o senhor que se segue. Serão à partida cinco anos de águia ao peito.

carlos.nogueira@dn.pt

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