Vardy alérgico a ginásios: "Prefiro Red Bull e nicotina"

O goleador da seleção inglesa lembra na brincadeira que a última vez que levantou um peso foi uma lata de Red Bull e garante que os treinadores que o tentaram levar para o ginásio não tiveram sucesso. A bebida energética serve para o acordar de manhã

Jamie Vardy tem hábitos nada normais para um futebolista profissional. O avançado do Leicester e da seleção inglesa foi apanhado há uns dias com uma lata de Red Bull na mão e a mascar nicotina, algo que provocou uma onda de indignação em Inglaterra, com alguns especialistas a defenderem que esta sua mania faz mal à saúde e é reprovável.

O jogador de 29 anos que foi a grande sensação da Premier League, contribuindo com 24 golos para o primeiro título de campeão do Leicester, não concorda. E em declarações à imprensa britânica, após o jogo com País de Gales, no qual saltou do banco para marcar na altura o golo do empate, explicou esta sua dieta. "É um hábito que tenho há muito tempo. Já falei com os médicos e não há qualquer problema em fazê-lo. O Red Bull serve para me ajudar a acordar de manhã. É algo que o meu organismo precisa."

Vardy admitiu que esta mistura é tudo o que precisa para se manter em forma. E que por isso, ao contrário da grande maioria dos jogadores profissionais, dispensa o trabalho no ginásio, sobretudo levantar pesos. "Nunca vou ao ginásio. Esse tipo de trabalho físico afeta-me e deixa-me cansado e lento. Prefiro Red Bull e nicotina. A última vez que levantei um peso? Provavelmente uma lata de Red Bull no outro dia", brincou.

O goleador inglês explica que cada jogador é diferente. Não questiona os colegas que passam a vida no ginásio, mas também não admite que o critiquem: "Esta é a forma como me sinto bem. Há jogadores que precisam desse tipo de trabalho [no ginásio] para se manterem em forma. Eu faço as coisas à minha maneira. Depende do organismo. Se calhar beber Red Bull e mascar nicotina não funciona de forma igual para todos. Os treinadores que quiseram levar-me para o ginásio não tiveram sucesso."

A verdade é que esta mania de Vardy levantou uma grande discussão em Inglaterra. "Não existe qualquer evidência que prove que as bebidas energéticas permitem aumentar o rendimento. Agora mascar nicotina pode provocar cancro no céu da boca. Como é um atleta de alta competição, os níveis de cafeína e calorias não o afetam tanto. Mas tem de ter cuidado quando deixar de jogar", defendeu Naveed Sattar, professor na Universidade de Glasgow, dando um exemplo curioso: "É como George Best. Podia beber alcool à vontade enquanto jogava, mas depois quando se reformou os problemas começaram."

Esta é mais uma curiosa história em torno do goleador inglês. Há cerca de um mês, um dirigente do Leicester confessou que Vardy esteve muito perto de ser despedido em 2002. "No dia em que o contratámos, Vardy agradeceu-me por ter mudado a sua vida. Nunca tinha visto tanto dinheiro e estava nas nuvens. Começou a beber todos os dias e não sabíamos o que fazer com ele. Ia alcoolizado para os treinos. Ameacei que o despedia e ele parou de beber", contou o tailandês Aiyawatt Srivaddhanaprabha, vice-presidente do clube britânico que o foi buscar ao modesto Fleetwood Town, da V Divisão inglesa, por um milhão de libras.

No início da carreira, Jamie Vardy conciliava o futebol com um trabalho de 12 horas numa fábrica de próteses de fibra de carbono. E chegou a fazê-lo com uma pulseira eletrónica no tornozelo, resultado de uma rixa num bar ao defender um amigo com deficiência auditiva. Hoje, com 29 anos, é uma das estrelas da seleção inglesa.

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