Danny, a lenda do Zenit com direito a estátua na capital cultural da Rússia

Diretor do museu do Zenit diz que o busto vai estar no museu do novo estádio. Jogador revela muito orgulho e quer uma réplica

São Petersburgo é a segunda maior cidade da Rússia e considerada a capital cultural do país. Em cada praça é possível encontrar estátuas, mas poucas são tão imponentes como as de Pedro, o Grande e, sobretudo, a de Vladimir Lenin, histórico líder político e do governo que faleceu em 1924, ano em que fez que Petrogrado passasse a ser designada de Leninegrado até 1991, altura em que adotou a denominação atual.

As estátuas, por norma, são concedidas a alguém importante na vida dos países, cidades ou instituições. E há um português que pode orgulhar-se de ter entrado para a eternidade do principal clube de futebol de São Petersburgo, o Zenit. Trata-se de Danny, que este ano se despediu do emblema que defendeu nos últimos nove anos. Este mês, no dia 16, o internacional português foi homenageado na praça Menezhnaya, no coração da cidade, onde vários adeptos fizeram questão de estar presentes. Ladeado pelos filhos, o luso-venezuelano emocionou-se quando destaparam um busto que na prática é a mais alta distinção que pode ter para a eternidade. "És uma lenda do Zenit", disse na altura Sergei Fursenko, presidente do clube e um dos principais impulsionadores da ideia.

"É um orgulho enorme. Fiquei muito feliz por ter uma estátua em São Petersburgo. É o reconhecimento do bom trabalho que fiz", afirmou Danny, que se encontra de férias, numa curta troca de mensagens com o DN. Afinal foram nove anos, 113 jogos e 21 golos pelo clube financiado pela empresa petrolífera e de gás natural Gazprom, pelo qual venceu três campeonatos, duas Taças da Rússia, duas supertaças russas e uma Supertaça europeia.

"Foi uma forma de distinguirmos o Danny pela carreira que teve no clube, onde esteve nove anos e foi nosso capitão. No fundo é uma forma de demonstrarmos como gostamos dele e lhe estamos gratos", referiu Sergei Kovalev, diretor do museu do Zenit, ao DN.

O segundo a ter estátua

Para já, o busto do internacional português não está em exposição (foi apenas apresentado na praça Menezhnaya), até porque o pequeno museu, bem perto do velho Estádio Petrovsky, está na fase final da sua existência, uma vez que após o Campeonato do Mundo de 2018 será construída uma moderna infraestrutura onde irá, finalmente, ficar exposta a obra de homenagem ao futebolista que nasceu há 33 anos na Venezuela e que vestiu a camisola da seleção nacional em 38 ocasiões, nas quais marcou quatro golos. "Infelizmente não temos a estátua em exposição, temo-la guardada, mas em meados da próxima semana vamos colocá-la na megastore do Zenit para que os adeptos a possam ver", referiu Sergei Kovalev, garantindo que os adeptos do clube "adoram Danny".

O internacional português, que em 2008 foi contratado ao Dínamo Moscovo por 30 milhões de euros, construiu uma boa imagem no futebol russo, algo que nos foi confirmado por um adepto do Spartak Moscovo, que além de o destacar como "grande jogador" deixou talvez o melhor elogio que se pode fazer a um estrangeiro: "Ele já é mais russo do que português... tem a nossa mentalidade."

Num dos primeiros jogos que Danny disputou com a camisola do Zenit acabou por marcar o início da sua forte ligação aos adeptos e ao próprio clube. "Foi ele que marcou um dos golos mais importantes da história do nosso clube, na Supertaça Europeia [vitória por 2-0 ao Manchester United], além de ter sido eleito o melhor dessa partida", recordou Kovalev, orgulhoso, revelando que "o clube não tem a tradição de fazer estátuas aos seus jogadores". "Até agora, apenas tínhamos a estátua de um jogador dos anos 60, Burshavkin. Mas mesmo assim, apenas temos uma cópia, pois a original está no museu da cidade de São Petersburgo. Original só temos a do Danny", sublinhou, numa forma de enaltecer ainda mais a importância desta distinção.

Danny quer uma réplica

Sergei Kovalev lembrou que na altura em que ficou a conhecer a intenção do presidente do Zenit, Danny ficou muito sensibilizado com o gesto. "Ele adorou a estátua", garantiu, deixando desde logo uma promessa: "Vamos fazer uma réplica para que ele possa ter em sua casa." Ao DN, o jogador português, que neste momento está sem clube, assumiu o desejo de receber esse presente: "Claro que vou querer uma cópia para mim, aliás já pedi à Anna, que é funcionária do Zenit, mas ainda não sei quando a vou receber." Certo é que no próximo ano, após o Mundial, no estádio mais caro do mundo, o Krestovsky, irá estar exposta a estátua de um português, futebolista, que marcou uma era num dos clubes mais ricos da Rússia e da Europa.

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