Eliseu, o pronto-socorro "regular, competitivo e sempre disponível"

No clube e na seleção, o lateral responde bem ao rótulo de "segunda opção". Inácio, que lhe entregou o flanco esquerdo no Belenenses, elogia a dedicação e o espírito alegre do jogador

Ele é assim: entra na equipa titular como a mesma naturalidade com que apareceu ao comando de uma Vespa na festa do tetracampeonato do Benfica. Sempre a lutar com o estigma do rótulo de "segunda opção", Eliseu responde em campo quando é chamado como pronto-socorro: primeiro estranha-se, depois entranha-se no onze. O último episódio foi no domingo, quando rendeu Fábio Coentrão na lateral-esquerda da seleção nacional, diante da Hungria. "É um jogador extremamente competitivo. O que faz dele diferente é que mesmo no banco está sempre disponível", elogia Augusto Inácio, que o treinou no Belenenses.

Eliseu, chegado ao Benfica no verão de 2014 (com quase 31 anos e como 18.º lateral-esquerdo contratado durante a era Jesus), tem resistido a tudo e prosperado na ausência dos concorrentes. Perante as sucessivas lesões de Grimaldo (visto como primeira opção), é o português (de ascendência cabo-verdiana) que tem assumido a titularidade, com a mesma naturalidade com que colmata cada falta de Raphaël Guerreiro ou Fábio Coentrão na seleção nacional. O brasileiro Hermes, que aterrou neste verão na Luz, também não lhe fez sombra.

"Eliseu tem qualidade suficiente para ser sempre a primeira opção" sublinha Augusto Inácio - que treinou o esquerdino no Belenenses em 2003-04 -, notando que se trata de um atleta "regular, competitivo e sempre disponível". No entanto, o que se destaca é a disponibilidade de quem não se resigna ao estatuto de segunda opção e aparece sempre a postos para ser pronto-socorro. "Mesmo não jogando, o Eliseu não deixa de ser ele mesmo. Entrega-se nos treinos, tem bom espírito e é um jogador alegre... cria um ambiente favorável e todos gostam dele", diz o técnico, ex-Moreirense, que também fez carreira de futebolista como lateral-esquerdo.

"Quem não trabalha a 100% não corresponde quando é chamado. O Eliseu quando não joga continua a trabalhar para jogar. E mesmo que volte a não ser chamado vai continuar a trabalhar" até que surja uma oportunidade, elogia Inácio. No clube, a chance apareceu logo na Supertaça: Grimaldo saiu lesionado aos 75" e o português não mais largou o onze (foi totalista nas quatro primeiras jornadas da I Liga). Na seleção, as mazelas de Guerreiro (ausente) e de Coentrão (rendido aos 28" do jogo com a Hungria) lançaram o trintão para as duas primeiras internacionalizações da fase de apuramento para o Mundial 2018. No fundo, Eliseu cumpre a sina de qualquer lateral de uma equipa de topo - que "nunca será o melhor em campo mas também nunca será o pior" (como José Mourinho terá dito um dia de Paulo Ferreira). "Não é um jogador de grandes altos nem de grandes baixos. É extremamente regular", destaca Augusto Inácio.

De extremo, Eliseu evoluiu para lateral. A invenção foi patenteada por Manuel Pellegrini (que o treinou no Málaga, de 2010 a 2013). Mas o primeiro a entregar ao jogador todo o flanco esquerdo foi Inácio, ao apostar num esquema de três defesas no Belém de 2003-04. "É preciso ser um atleta e ter pulmão para fazer o corredor todo. Eliseu é um atleta", diz o treinador, lembrando que "numa equipa grande quem mais corre são os laterais" e que "é preciso ter uma grande capacidade" para isso. Eliseu vai conseguindo fazê-lo. E assim - e com episódios como o da Vespa levada para a festa do tetracampeonato - vai conquistando os adeptos do Benfica.

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