Air Race despede-se com 850 mil pessoas e promete voltar em 2018

O checo Martin Sonka venceu etapa com mais público de toda a temporada. Pilotos querem voltar e ministro promete esforço

Nas margens do Douro, um mar de gente. A organização da Red Bull Air Race (RBAR) estima que 850 mil pessoas terão assistido ao vivo no conjunto dos dois dias ao regresso do maior e mais popular evento do desporto aéreo mundial. Após os 250 mil espectadores nas qualificações de sábado, ontem terão sido 600 mil a contemplar o triunfo do checo Martin Sonka na etapa portuguesa, a sexta das oito do campeonato mundial da Master Class da RBAR (ver texto na página seguinte).

Na prova de Porto e Gaia, Sonka conseguiu o segundo triunfo da época e da sua carreira, depois de vencer em Abu Dhabi, e saltou para a liderança do campeonato. No final, em declarações ao DN, o piloto checo salientou as particularidades da prova no Douro. Desde logo o ambiente e o anfiteatro natural, um "coliseu para corridas aéreas", como muitos pilotos classificam, num trajeto considerado mais simples, mas nem por isso mais fácil do que outras etapas.

"Esta pista é super-rápida e a direito, devido à estreiteza do rio, mas quando subimos e damos a volta lá em cima é aí que estão os pontos--chave, porque não podemos exceder o limite das forças G, caso contrário somos penalizados. Este vale com o rio ali em baixo é um sítio incrível para voar. Estamos tão focados na corrida que não nos apercebemos de todo o entusiasmo do público em volta. Mas há algo ali no nosso subconsciente que nos lembra disso", confessou o vencedor, um ex-piloto de caças da força aérea checa que desde 2010 corre entre a elite da aviação mundial.

Esta perspetiva de Porto e Gaia como uma etapa pitoresca e muito popular é compartilhada por muitos outros pilotos. Como Matt Hall, australiano que já havia competido na última edição da RBAR em Portugal, tendo alcançado em 2009, tal como agora, o último lugar no pódio. "É maravilhoso voltar ao Porto, chegar aqui, ver 600 mil pessoas nas margens a assistir e, além disso, voltar ao pódio", disse o australiano, salientando a sua adaptação à etapa portuguesa: "Estou habituado a viver junto à costa, bem perto da praia, e portanto aos ventos, ao nevoeiro. Aqui no Porto é um pouco como voltar a casa."

O nevoeiro da manhã de domingo obrigou a uma alteração no programa, motivando a deslocação dos aviões para a Maia, em detrimento do aeródromo do Parque da Cidade, junto ao mar. A corrida, porém, não ficou em risco, já que o sol brilhou sobre o percurso entre as pontes da Arrábida e de D. Luís durante todo o dia, atraindo uma enchente maior do que na véspera.

Apesar de se estrear em Portugal, o norte-americano Kevin Coleman, vencedor da classe Challenger, corrobora as palavras dos pilotos mais experientes sobre a etapa do Porto: "Da última vez que vi esta corrida ser disputada (2009) ainda era um mero espectador, agora estou aqui como piloto e sou amigo daqueles que há uns anos eram os meus heróis. Correr aqui é fantástico. Nós descemos em direção ao rio e há pessoas que estão num patamar superior ao nosso a assistir. É uma sensação muito diferente da que temos em qualquer outro lugar. Esta prova não se compara com outra corrida." Com tantos elogios por parte dos pilotos não será de estranhar portanto que o vencedor Martin Sonka saliente ao DN a convicção que passa por toda a estrutura da RBAR: "Espero voltar no próximo ano, porque a corrida, estas cidades e as pessoas são incríveis."

Governo "vê com bons olhos"

Com a etapa de Porto e Gaia a bater neste fim de semana todos os recordes de assistência da temporada da RBAR, é expectável que em 2018 volte a haver uma edição nas margens do Douro. Essa convicção foi salientada pelo ministro da Economia, que assistiu à prova em Gaia.

"Vemos com bons olhos a continuação da Red Bull Air Race. É um esforço que governo, autarquias e patrocinadores têm de fazer para que estes eventos, que dão visibilidade mundial a Portugal, continuem, mesmo requerendo um grande esforço de organização e de apoio financeiro", afirmou Manuel Caldeira Cabral, acrescentando que "a prova tem alavancado a notoriedade do Porto como cidade e tem trazido turistas ao Norte, a região que mais cresceu em termos de turismo, e integra uma série de eventos muito importantes para a afirmação e dinamização externa das cidades portuguesas. Além disso, tem também uma enorme adesão popular. Ao mesmo tempo que estamos a ver estas imagens espetaculares dos aviões, estamos também a ver uma imagem espetacular das cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia e a ver toda uma dinâmica que se cria de gente à volta destes eventos", destacou.

Já no primeiro dia do evento, o presidente da Câmara Municipal do Porto revelou a vontade de em 2018 voltar a acolher a RBAR, estando porém tudo condicionado por haver eleições autárquicas a 1 de outubro. "As câmaras municipais negociaram a opção para o próximo ano em condições idênticas, mas tudo dependerá de quem vier a ganhar as eleições, quer no Porto quer em Gaia, determinar se essa é uma prioridade e depois teremos de ver também se conseguimos as contrapartidas quer do Turismo de Portugal quer da CCDR-N sem as quais a prova atinge valores muito elevados", afirmou Rui Moreira.

A beleza da paisagem, a "mais bonita do circuito mundial", e as multidões que acorrem às margens do Douro são do interesse também da organização e dos patrocinadores. Pelo que para este ano e para o próximo (à condição) a Red Bull fez um desconto de 50% à etapa portuguesa, cobrando três milhões de euros.

Para que a prova voltasse ao Porto e a Gaia, oito anos depois, o Turismo de Portugal pagou 1,5 milhões de euros, enquanto a entidade de Turismo do Porto e Norte, juntamente com as duas câmaras, avançou com valor idêntico. A esta verba somou-se quase mais um milhão de euros em custos extra de organização. O retorno económico para o Porto e para Gaia é muito difícil de quantificar, mas certamente compensa o investimento feito, garante Rui Moreira. Não é todos os dias que se pode promover um destino turístico numa transmissão televisiva para 140 países.

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