A Mata chegou a estar encantada, mas depois faltaram as pilhas

O Aves apurou-se para uma final inédita, mas não se livrou de um grande susto que obrigou a prolongamento

No Campo da Mata, defrontavam-se amadores e profissionais. Mesmo em desvantagem, fruto da derrota por 1-0 na primeira mão, o Caldas, do Campeonato de Portugal, e com o apoio de mais de cinco mil adeptos, foi a equipa que mais procurou o golo durante o tempo regulamentar. É verdade, diga-se, que o Aves também deu a iniciativa à formação da casa, preferindo gerir a vantagem do primeiro jogo, mas o Caldas, agarrado ao sonho de chegar ao Jamor, fez de tudo para equilibrar as contas.

Após uma primeira parte em que o Caldas foi mais perigoso e que o Aves só nos derradeiros 15 minutos chegou à baliza de Luís Paulo, o segundo tempo mostrou a garra da equipa do Oeste. Com o lema "Ninguém passa na Mata" a soar nas bancadas, os comandados de José Vala encostaram o Aves e, aos 55 minutos, um desvio involuntário de Jorge Felipe deu a vantagem merecida ao Caldas.

Era o delírio nas bancadas. O esforço tinha valido a pena e pedia-se mais. Mais um esforço. Mais um golo que completasse o sonho. Contudo, foi esse mesmo esforço, físico, que acabou por custar caro ao Caldas. Vontade ainda existia, mas a verdade é que nos momentos de correr a uma bola mais longa, ou a uma dividida, a partir dos 70 minutos foi sempre o Aves que esteve por cima.

Os forasteiros aproximaram-se da baliza do Caldas e aí foi o guardião Luís Paulo que se revelou fundamental, tal como em outras eliminatórias, conseguindo levar a discussão para o prolongamento. Nas bancadas voltavam a ouvir-se os adeptos, mas neste momento os jogadores por quem puxavam jogavam mais com o coração do que com a cabeça e quando aos 97 minutos Vítor Gomes fez o 1-1, a resistência do Caldas caiu por terra. Depois disso, o 1-2, do mesmo Vítor Gomes, num golo de bandeira já no segundo tempo do prolongamento, não surpreendeu ninguém.

Treinadores orgulhosos

Mesmo sem o tão desejado apuramento, José Vala estava orgulhoso dos seus jogadores. "Valeu a pena. Ainda acreditei na final, quando fomos para o prolongamento, mas temos de estar orgulhosos. Espero que a nossa chegada aqui tenha servido para que se olhe para o Campeonato de Portugal com outros olhos. Há muitos e bons jogadores neste campeonato", salientou o treinador do Caldas, que depois seguiu com os jogadores para o jantar-convívio com os adeptos na Expoeste.

Já José Mota estava também satisfeito e até já pensa no triunfo no Jamor. "Quero agradecer aos adeptos, que a meio da semana vieram às Caldas. Isto foi por eles, estamos todos satisfeitos e agora estamos no Jamor. Ainda temos tempo para pensar nesse jogo, mas já que lá chegámos, como o adversário que encontraremos, podemos pensar na vitória, algo que seria fantástico para um clube como o Aves", referiu o treinador.

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