Uma sonata tailandesa vence o Doclisboa

"Santikhiri Sonata", da Tailândia, vence o Doclisboa 2019. O festival premiou na competição nacional "Viveiro2, de Pedro Filipe Marques, mais conhecido como montador de filmes de Miguel Gomes e Pedro Costa. "Zé Pedro Rock n' Roll" foi o escolhido pelo voto do público.

Um festival a dialogar com espetadores que querem descobrir uma ideia de pulso ao mundo. O Doclisboa 2019 teve uma afluência de público mais jovem e viram-se salas cheias para filmes que pedem disponibilidade sem zona de conforto. Por outras palavras, o Doclisboa está a cimentar uma renovação de público estimável, precisamente no ano em que Cíntia Gil, a diretora, se despede para começar a dirigir o Sheffield Doc/Fest.

E nesta edição, que voltou a exibir filmes de militância com orgulho, a vitória foi para Santikhiri Sonata, da Tailândia. O júri da competição internacional destacou este olhar de Thunska Pansittivorakul sobre as memórias da governação do general Prem a partir dos anos 1980 na região do "Colina da Paz". Uma investigação sobre um processo de "colonialismo cego".

O Prémio Sociedade Portuguesa de Autores do Júri foi entregue à confissão dolorosa de Frank Beauvais, Ne Croyez Pas Surtout Pas que Je Hurle, produção francesa estreada no Festival de Berlim e que relata a maneira como o cinema tirou o cineasta de uma depressão profunda.

O sempre esperado prémio da competição nacional foi para Viveiro, de Pedro Filipe Marques, imersão no quotidiano de uma equipa de futebol, o Arcozelo, centrando-se nas figuras que estão nos bastidores do balneário. O filme tem uma criteriosa fundamentação dos tempos da montagem, mas a dada altura parece ter dificuldades em sobrepor-se a uma espécie de versão pseudo-intelectual do programa de televisão A Liga dos Últimos.

Bem mais cinematográfico pareceu-nos Cerro de Pios, de Miguel de Jesus, vencedor do Prémio do Júri. Longa-metragem que documenta o encontro do cineasta com o seu pai, vítima de um cruel cancro. Obra sobre a possibilidade do falhanço artístico e com um discurso acutilante sobre as novas sofisticações do cinema do real enquanto objeto de exposição de intimidade. Depois deste prémio, Cerro de Pios tem tudo para fazer um percurso auspicioso no circuito dos festivais.

O Prémio Midas Filmes de melhor primeiro filme foi para Rio Torto, de Mário Veloso, enquanto na competição transversal, o experimental Serpentário, de Carlos Conceição, venceu o Prémio Revelação Canais TVCine & Séries. Uma obra capaz de confirmar Conceição como um dos mais estimulantes cineastas portugueses numa altura em que já tem concluído mais dois filmes.

Por fim, importante realçar o voto popular, Zé Pedro Rock n' Roll, de Diogo Varela Silva, crónica sobre a saudade que o fundador dos Xutos deixou, venceu o Prémio do Público.

Na sessão de encerramento, Technoboss, a brilhante comédia musical de João Nicolau, foi mostrada em antestreia nacional. A partir do próximo dia 7 esta odisseia romântica protagonizada por Miguel Lobo Antunes chega às salas nacionais.

Na cerimónia de encerramento foram ainda anunciados os nomes da nova direção. O Doclisboa 2020 será dirigido por um trio composto por Joana Gusmão, Miguel Ribeiro e Joana Sousa. Lisboa continuará por certo como uma das capitais mundiais do cinema do real...

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