Teatros D. Maria II e da Trindade só reabrem ao público em setembro

Apesar de poderem reabrir a 1 de junho, muitas salas de espetáculo estão ainda a pensar como poderão retomar as atividades cumprindo as novas regras de segurança.

"O país começa agora a retomar gradualmente a sua atividade. Mas, por motivos de segurança, este ainda não é o momento para nos reencontrarmos no Rossio. Estamos ativamente a preparar o nosso regresso em setembro, garantindo todas as condições para que espectadores, artistas, técnicos e outros trabalhadores tenham a confiança necessária para regressar ao Teatro Nacional D. Maria II." É assim que, em comunicado, o Conselho de Administração e Direção Artística do teatro informam esta segunda-feira que as portas do teatro lisboeta só voltam a abrir-se ao público em setembro.

Até lá, a 1 de junho, o D. Maria II abrirá portas para trabalho de colaboradores no teatro, mas não com espetáculos para o público. A 28 de junho será anunciada a programação da próxima temporada e, a partir de 1 julho, os espectadores poderão trocar ou devolver os bilhetes previamente adquiridos para os vários espetáculos cancelados.

Para já, nos próximos dois meses, o D. Maria II continuará a ter, como até aqui, uma oferta cultural online, regular e gratuita, através da iniciativa "D. Maria II em Casa". Semanalmente, são lançados novos espetáculos, leituras de contos para a infância, sessões de poesia, conversas com artistas e muitas outras atividades.

Não é caso único. O "Plano de Desconfinamento" aprovado pelo Governo prevê para 1 de junho a reabertura de cinemas, teatros, auditórios e salas de espetáculos, "com lugares marcados, lotação reduzida e distanciamento físico". No entanto, alguns teatros, vão optar por manter, para já, a sua atividade reduzida.

É o caso do Teatro da Trindade/Inatel, que também só reabrirá ao público em setembro, disse à Lusa o diretor artístico, Diogo Infante. Congratulando-se com "o sinal positivo" dado pelas medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, Diogo Infante frisou, no entanto, que a realidade dos teatros "é complexa e particular" quando comparada com outros setores da economia.

"Sem sabermos exatamente o que vai acontecer na redução da lotação e o que isso representa, é muito arriscado pensarmos em reabrir o teatro, porque para quem vive da bilheteira isso pode não se justificar", disse Diogo Infante. Além disso, acrescentou, é sempre uma "má política" reabrir um teatro em junho já que sabemos tratar-se de um mês de fraca audiência, pelo que decidimos manter a atividade fechada para nos concentrarmos na 'rentrée', em setembro", disse, sublinhando: "Reabrir em setembro não significa que, pontualmente, não possa haver alguma atividade, mas será sempre pontual".

A equipa do Teatro Aberto, em Lisboa, também já voltou ao trabalho, para pensar na melhor maneira de retomar as atividades com público, no entanto não tem ainda uma data para estrear um novo espetáculo na sala da Praça de Espanha. O Teatro Aberto também tem tido uma intensa atividade online, no entanto, agora começa uma nova fase. "Terminado o estado de emergência vamos entrar num outro estado, de reflexão, mas também de incerteza em relação ao futuro próximo da nossa arte", explica em comunicado a instituição dirigida por João Lourenço. "O teatro é feito de proximidade e não de distanciamento. O verdadeiro teatro é feito ao vivo e não através de plataformas. O teatro é feito de pessoas, os atores, que se tocam, que respiram e que interpretam personagens com corpo, voz e emoções."

A Companhia de Teatro de Almada (CTA), com sede no Teatro Municipal Joaquim Benite, prevê retomar as atividades com a edição deste ano do Festival de Almada (de 4 a 18 de julho), embora a companhia ainda desconheça se consegue realizar a iniciativa, uma vez que será "muito difícil, se não mesmo impossível, conseguir trazer companhias estrangeiras como em anteriores edições", disse fonte daquele teatro à Lusa. O diretor artístico da CTA, por seu lado, não quer pronunciar-se sobre a reabertura da sala, sem saber qual a redução da lotação que o plano do Governo prevê, entre outras condições.

Quem disse à Lusa que irá reabrir em junho foi o encenador João Garcia Miguel, diretor da companhia com o seu próprio nome, sediada no Teatro Ibérico, em Lisboa. "Nem que seja para fazermos um espetáculo, desde que possamos abrir e mesmo que depois tenhamos de voltar a fechar", disse, o teatro abre.

A reabertura plena deste teatro, contudo, está dependente de uma série de fatores que o Governo ainda não esclareceu, frisou João Garcia Miguel. Quais as condições de higienização e desinfeção, qual a lotação suportada, e se essas condições não terão de ser fiscalizadas, acrescentou, sublinhando que junho nunca é um "bom mês para o teatro". "Regra geral, em junho, a sala era solicitada para escolas, para espetáculos de finalistas, por juntas de freguesia e para o Festival de Teatro Universitário, pois junho e julho são meses fracos para o teatro", sublinhou à Lusa João Garcia Miguel. Porém , "mesmo correndo o risco de podemos ter apenas um terço de público na sala, gostávamos muito de reabrir em junho", frisou.

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