Quebra de espectadores para os filmes portugueses não impede novidades

A média de espectadores que vão ver filmes de realizadores nacionais está em quebra e há filmes que nem ultrapassam mil bilhetes vendidos. Mesmo assim, estão previstos vários filmes para 2019 para combater este flagelo, dos quais se destacam sete.

Terra Franca, de Leonor Teles, acabou de estrear e Leonel Vieira apresenta esta semana a comédia Tiro e Queda. A avalancha de cinema português em 2019 é uma realidade, mesmo com quebra de espetadores que se tem vindo a assistir. Entre as estreias o destaque vai para sete filmes nacionais

Snu, de Patrícia Sequeira

https://www.youtube.com/watch?v=BVivYd0lo-Y

Depois da série Três Mulheres, da RTP, Snu Abecassis volta a ter lugar na ficção nacional. É a versão da realizadora Patrícia Sequeira, cineasta que há quatro anos fez Jogo de Damas. O filme é baseado na história de amor entre Sá Carneiro (Pedro Almendra) e Snu Abecassis (Inês Castel-Branco), um caso romântico que marcou a sociedade portuguesa nos anos 1980. Mais do que uma crónica social, Snu pretende ser um retrato feminino de uma mulher que enfrentou tudo e todos por acreditar no amor. O trailer está muito bem feito e é um dos filmes com maior potencial comercial do ano. Tem também o trunfo de marketing mais desconcertante: junta no póster os logos da NOS e da MEO. Quem diria... Estreia a 7 de março

Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt

Será que é desta que estreia? Depois de ter sido anunciada a estreia para o outono de 2018, agora é dia 4 de abril a data para Portugal rir com esta sátira sobre o maior jogador de futebol do mundo, Diamantino, que depois de falhar o penalty na final do Mundial entra numa crise existencial. Um delírio que tem fortes conotações com Cristiano Ronaldo e que venceu a Semana da Crítica em Cannes, tendo ainda sido figura de proa nos maiores festivais do mundo. Diamantino é a consagração de Gabriel Abrantes, cineasta que já nas curtas tinha ganho um reconhecimento internacional fora do vulgar. Carloto Cotta é este futebolista com níveis de idiotice tremendos e com forte sotaque açoriano. Estreia a 4 de abril

Gabriel, de Nuno Bernardo

Um filme de boxe que repensa um certo racismo português. A aspiração é entreter aqui, mas Gabriel examina preconceitos da sociedade portuguesa. A história de Gabriel, um jovem cabo-verdiano que chega aos Olivais, em Lisboa, para procurar o rasto do pai, um antigo pugilista. Gabriel, aos poucos, percebe que herdou a vocação do ringue. Nuno Bernardo, produtor de obras como a série O Diário de Sofia e o filme Collider, fez um filme para o grande público com uma linguagem jovem. O protagonista é Igor Regalla, ator que deslumbrou tudo e todos como jovem Eusébio em Ruth, produção de Paulo Branco. Na banda-sonora temos hip-hop nacional de Vado. Estreia a 21 de março

Hotel Império, de Ivo M. Ferreira

https://vimeo.com/292107698

A interpretação da vida de Margarida Vilanova, aqui na pele de uma mulher misteriosa que tenta manter ativo o hotel do seu pai no centro de Macau, enquanto conhece um jovem asiático que poderá mudar o curso da sua vida. Um "noir" ambientado em Macau que teve a sua estreia em Pingyao e provou ser um digno sucessor de Cartas da Guerra, o anterior de Ivo M. Ferreira. Hotel Império é uma co-produção entre a China e Portugal, aborda também a questão de um certo desaparecimento da herança portuguesa em Macau. Pode não ter um apelo comercial tão forte como Cartas da Guerra, mas o seu charme deveria encontrar cinéfilos curiosos... Estreia a 9 de maio

Mutant Blast, de Fernando Alle

Uma bomba nuclear, um surto de zombies e uma soldado corajosa. Esta é a premissa da primeira longa-metragem "trashy gore" de terror em Portugal. Fernando Alle, criador da curta-metragem de culto Papa Wrestling, aventurou-se numa obra com financiamento do Estado mas também da mítica produtora de culto Troma. Mutan Blast tem violência sanguínea a rodos e efeitos visuais profissionais. Maria Leite é a protagonista numa obra para ver sem preconceitos e que demorou anos a ser concluída. Para já, aguarda data de estreia depois de ter tido antestreia em setembro no MOTELx. Sem data de estreia

Alva, de Ico Costa

Dos produtores de Djon África e A Fábrica de Nada, mais uma experiência de cinema do real, desta vez com um toque de thriller interior. A estreia nas longas de Ico Costa, jovem cineasta que nos convida para uma descida aos infernos ao acompanharmos um homem que se refugia no bosque depois de ter cometido um crime. Sozinho e sem abrigo, como que se funde na Natureza. Quase sem diálogos e sem rodriguinhos de narrativa, Alva é mais um exemplo do cinema português de cariz experimental e sem medos de explorar a psicologia do criminoso português. Trata-se de um dos filmes portugueses com presença no próximo festival de Roterdão. Sem data de estreia

Variações, de João Maia

É talvez o filme mais esperado do ano. A vida e obra de António Variações num "biopic" assumidamente emotivo. Outro dos filmes que teve numa enorme saga de produção, levada agora a bom porto por Fernando Vendrell, produtor da série Três Mulheres. Das imagens já vistas, regista-se a transformação de Sérgio Praia no maior cantor português da sua geração. A abordagem de Maia recusa o "playback" e toda a componente musical vai ter investimento de mistura de som em Dolby, bem à maneira de Hollywood. Se for bem promovido, poderá estar aqui o maior campeão de bilheteiras do ano, isto se o projeto Curral de Moinas, da dupla João Paulo Rodrigues e Pedro Alves, não ficar concluído... Estreia no verão

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