O xeque-mate da ficção televisiva

Entre The Crown e Gambito de Dama, as séries e minisséries ganharam espectadores com a pandemia. Vamos ver o que uma e outra ganham nos Globos de Ouro...

Depois de um ano de muitas incertezas sobre tudo e mais alguma coisa, um ano também em que o streaming beneficiou do recolhimento caseiro a nível global, há uma jogada (quase) certa nesta madrugada de Golden Globes, em termos de categorias televisivas: Gambito de Dama. A minissérie protagonizada pelo jovem talento Anya Taylor-Joy, menina-prodígio do xadrez que se atreve a espicaçar a estratégia masculina, foi um fenómeno de popularidade, e o seu mérito está todo na combinação do glamour da intérprete com a especificidade do universo narrativo deste jogo - quem diria que o xadrez ia voltar a estar na moda depois de Bobby Fischer... Xeque-mate então, muito provável, para a Netflix, mesmo competindo com Small Axe, a magnífica antologia de filmes de Steve McQueen sobre a comunidade caribenha em Londres, disponível na HBO.

Mas se Gambito de Dama é um natural favorito, The Crown (também Netflix), a série centrada no reinado da rainha Isabel II, deverá acumular galardões. Desde logo, o de melhor série dramática - roubando a oportunidade ao acarinhado The Mandalorian, da Disney -, melhor atriz, Emma Corrin, na pele da princesa Diana, e atriz secundária, Gillian Anderson como Margaret Thatcher. Digamos que esta quarta temporada da série já coroada uma vez, em 2017, tem os ingredientes certos para reinar, muito devido às novas aquisições femininas, que, sem se sobreporem à vencedora do ano passado, Olivia Colman, fazem que se distribua o reconhecimento dos "valores" da produção.

De resto, o jogo parece estar mais ou menos em aberto nos outros tabuleiros da ficção televisiva. Ainda nas séries dramáticas, Jason Bateman, nomeado pela terceira vez por Ozark, poderá encaixar na máxima "à terceira é de vez", e nas minisséries, Hugh Grant, que em 2019 esteve nomeado por A Very English Scandal (convenhamos, com a sua melhor interpretação recente), é tido como o presumível vencedor, em The Undoing. Um caso que, a confirmar-se, cria algum ruído: será que as subtilezas do seu médico carregado de sombras estão ao mesmo nível do abolicionista de Ethan Hawke em The Good Lord Bird? Nem por isso. Hawke tem aqui a personagem mais delirante da sua carreira, e está perfeitamente à altura dela. Pelo meio, Mark Ruffalo e a performance dupla (irmãos gémeos) em I Know This Much Is True, que lhe valeu o Emmy, não é de desconsiderar, mas nesta categoria de melhor ator em minissérie, insistimos, Ethan Hawke é the real thing.

Com Taylor-Joy a seguir a boa estrela de Gambito de Dama, enquanto atriz principal, nos atores secundários, por sua vez, a distinção deverá ir para o negro britânico John Boyega, pelo seu polícia audaz que corrói o racismo por dentro da força policial num dos filmes da série Small Axe.

Quanto à comédia, é verdade que Schitt"s Creek, a série que açambarcou os Emmys no ano passado, paira como um fantasma de vitórias, mas Ted Lasso (Apple TV+), em que Jason Sudeikis dá vida a um otimista treinador de futebol americano em Londres, tem vindo a ser apontado como a grande favorita - a série e o próprio Sudeikis. Sentamo-nos no sofá para ver se há golo?

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