Exclusivo O naan que o diabo amassou

O realizador de 99 Casas regressa com um conto de perversão moral que está a ser comparado a Quem Quer Ser Bilionário?, mas que é mais um filme de gangsters hindu. O Tigre Branco encena o confronto entre ricos e pobres numa Índia segregada pelas castas.

A educação moral de um pobre motorista na Índia moderna. É disto que fala a ambiciosa adaptação a The White Tiger/O Tigre Branco, romance de Aravind Adiga premiado com o prémio Booker. Ambiciosa não só numa escala de produção que revela muitos meios, mas sobretudo por servir de retrato de uma Índia e dos seus costumes, em específico a maneira cultural como as castas se dividem e de como a hierarquia entre patrões e criados se torna um cisma social. Ouve-se um motorista a dizer: "Ou odiamos os nossos patrões com numa fachada de amor ou então amamo-los com uma fachada de ódio."

Realizado pelo cineasta norte-americano de origem iraniana Ramin Bahrani, O Tigre Branco acompanha a transformação de Balram, um jovem provinciano que se torna motorista do filho do mafioso que controla a sua região. Aos poucos, Balram vai entrando num mundo de luxo, de poder e negociatas e percebe que a sua posição no mundo é frágil. O tempo passa e a inocência de Balram esvanece-se e começa a ganhar contornos de ambição. Pelo meio, ouvimos a narração do jovem que se dirige diretamente ao espectador, confrontando-o com a sua distância social e geográfica - nesse sentido, Bahrani está a fazer um filme para as audiências ocidentais.

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