Nova série documental revela como George Lucas revolucionou efeitos visuais

A série documental com seis episódios, criados e realizados pelo cineasta Lawrence Kasdan, que co-escreveu vários filmes da saga "Star Wars". Vão incluir imagens e histórias dos bastidores, além de entrevistas com os pioneiros da ILM.

A série documental Light & Magic, que se estreia na Disney+ a 27 de julho, vai mostrar imagens inéditas e histórias dos bastidores da Industrial Light & Magic (ILM), a divisão que George Lucas fundou e que revolucionou a indústria dos efeitos visuais.

"É um documentário muito significativo", disse na sexta-feira Phil Tippet, que venceu vários Óscares de Melhores Efeitos Visuais, num painel sobre a nova série durante o Star Wars Celebration em Anaheim, Califórnia.

Tippet disse que o trabalho revela "bolhas paleontológicas" da história dos efeitos visuais e contou alguns detalhes curiosos sobre como a equipa montada por George Lucas inventou raças e nomes de Star Wars.

Por exemplo, o nome da raça alienígena Mon Calamari surgiu porque a figura que desenharam parecia um homem-lula (calamari man, em inglês), e o General Ackbar foi batizado ali mesmo de forma aleatória.

Também Joe Johnston contou como desenhou o famoso logótipo de Star Wars numa noite, com uma caneta de tinta preta e uma régua.

"Este documentário não é sobre como é feito, antes mostrando porque é que é feito", disse Dennis Muren, vencedor de vários Óscares de Efeitos Visuais pelo seu trabalho em Star Wars, Indiana Jones e outros.

"É uma série incrível que capta a essência de como foi nesses primeiros tempos", considerou Rose Duignan, que foi a primeira diretora de marketing da ILM. "Nós éramos chamados de clube de campo", recordou a responsável, por causa de alguns incidentes com frigoríficos, jacuzzis e o ambiente que se vivia na empresa.

Os seis episódios do documentário, criado e realizado pelo cineasta Lawrence Kasdan -- que co-escreveu vários filmes da saga Star Wars -- incluem imagens e histórias dos bastidores, além de entrevistas com os pioneiros da ILM que ainda este sábado estão envolvidos na indústria e participaram no Star Wars Celebration.

Ron Howard, realizador de Han Solo: Uma História de Star Wars e que agora está por detrás da série Willow, que chega a 30 de novembro como sequela do filme de 1988 com o mesmo nome, explicou o racional da série documental.

"A ideia era pôr as caras em cima da criação ativa, compreender a génese da revolução de uma forma de arte", disse, numa conferência de imprensa que se seguiu ao painel.

"Se a magia funciona como deve ser, não temos de acreditar que é real, torna-se real e fascina-nos", afirmou. "É recompensador para quem ama filmes e cinema saber como funciona".

Lynwen Brennan, diretora-geral da Lucasfilm, frisou que a série documental coloca o foco sobre as pessoas, mais que sobre os pormenores técnicos de como certos feitos foram conseguidos.

"Fizemos coisas fantásticas, mas isto é sobre a alma das pessoas", disse a executiva. "Nunca houve uma noção de alguma coisa ser impossível e é por isso que isto nos entra no sangue", caracterizou.

Brennan disse também que a ILM retém algumas das características desses primeiros anos, em que a criatividade da equipa tornou possível o enorme sucesso dos filmes Star Wars.

"A coisa incrível desta companhia é que, 45, 46 anos depois, o espírito de inovação e invenção ainda cá está", disse a diretora da Lucasfilm.

Num trecho da série mostrado na Star Wars Celebration, George Lucas explica como os efeitos visuais são fundamentais para fazer filmes, 47 anos depois da fundação da Industrial Light & Magic e 45 anos depois da estreia do primeiro filme da saga espacial, "Uma Nova Esperança".

"Os efeitos visuais criam a magia que faz as pessoas querer ir ao cinema", diz Lucas no documentário.

Na conferência de imprensa, Rose Duignan explicou como o visionário contribuiu para um ambiente familiar na empresa e aceitou a criação de uma creche para os funcionários, pelo profundo valor que dá às crianças e famílias.

"Ele escreveu tudo isto para miúdos de 12 anos", disse Duignan. "Esse era o seu mercado. Queria ensinar-lhes sobre o egoísmo versus o altruísmo", continuou. "Não havia muito do seu próprio ego nisto".

A pioneira da ILM também disse que é necessária uma nova geração de profissionais de efeitos visuais, porque a indústria explodiu. "Nós éramos a Aliança Rebelde original".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG