Nomadland e Maria Bakalov a ganhar terreno nos prémios americanos

As associações de críticos nos EUA começam a definir o jogo da temporada dos prémios com as suas distinções. Na mais longa ante-câmara dos Óscares de sempre, Nomadland começa a impor-se como grande favorito.

Este ano pensar na corrida para a temporada dos prémios impõe uma lógica de maratona. As datas estão estendidas e as regras mudaram: há mais tempo para os lobbies e com a entrada dos filmes estreados apenas em streaming, o número de candidaturas aumenta. Mesmo os analistas americanos ainda não perceberam bem como é que este engarrafamento de títulos pode ser sustentado, sobretudo se filmes que ainda não estrearam como The United States vs Billie Holiday ou Cherry ainda vão a tempo de contrariar todos os outros já premiados pelos críticos e associações.

Dessa forma, torna-se óbvio que há uma série de filmes já com um balanço forte, nomeadamente aquele que parece estar a destacar-se: Nomadland- Sobreviver na América, de Chloé Zhao, com uma Frances McDormand muito perto da perfeição. Recentemente, foi o grande vencedor do National Society Film Critics Awards, recebendo não só a distinção de melhor filme mas também a de melhor atriz.

Nomadland explora a odisseia de uma viúva que é obrigada a percorrer o país numa caravana em busca de trabalho. Chloé Zaho mistura atores e verdadeiros nómadas num objeto que recusa a peripécia dramática em favor de uma respiração ultra realista. Vencedor do prémio do público em Toronto e do Leão de Ouro de Berlim, o filme venceu ainda o prémio máximo dos críticos de Boston, Chicago, e San Diego. Já se percebe que este road-movie é o rei dos consensos na crítica americana, apenas desafiado pela associação de críticos de Nova Iorque e a da Florida que votaram noutra obra dirigida por uma mulher, Kelly Reichardt e o seu adorável First Cow, um western pardacento que no Festival de Berlim nem chegou ao palmarés.

A sempre importante associação de críticos de Los Angeles guinou a sua escolha para um projeto que não vai concorrer para os Óscares: Small Axe, a antologia de cinco filmes de Steve McQueen que está já escolhida pela HBO para tentar a sua sorte nos Emmy.

O outro dos outsiders parece ser Minari, de Lee Isaac Chung, que depois da glória no Festival Sundance 2020 venceu o prémio dos críticos da Carolina do Norte e entrou para a lista dos melhores do ano de muitas publicações.

Se os prémios da National Society Film Critics costumam ser um bom barómetro, importa ainda referir que os runners up (assim se denominam os finalistas vencidos) foram First Cow e Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman, ambos realizados por mulheres, outra das tendências deste ano. Frances McDormand venceu o prémio de melhor interpretação feminina, enquanto nos atores a escolha foi para Delroy Lindo, em Da 5 Bloods- Irmãos de Armas, vencedor também no círculo de críticos de Nova Iorque, mas é o falecido Chadwick Boseman em Ma Rainey- A Mãe dos Blues quem parece estar na linha da frente após ter vencido no círculo de Los Angeles, associação que deu o prémio de melhor atriz a Carey Mulligan em Uma Miúda com Potencial.

Ainda assim, a campeã dos prémios é a sensação do novo Borat, Maria Bakalov. A atriz búlgara tem ganho quase todas os prémios de melhor atriz secundária, até à data já tem 9 distinções e é a grande favorita mesmo contra a competição de Elle Burnstyn em Pieces of a Woman ou Amanda Seyfried em Mank . Está a nascer uma nova estrela...

Por esta altura também já se percebeu que a imprensa americana não está a morrer de amores por Mank, de David Fincher ou Os 7 de Chicago, de Aaron Sorkin, as anteriores grandes esperanças da Netflix. Nos próximos tempos, vamos ver como as entradas tardias agitam esta corrida e há alguma expectativa por obras como Cherry, dos irmãos Russo, onde Tom Holland ainda poderá ter uma palavra a dizer na categoria de melhor ator; Judas and the Black Messiah, de Shaka King, com Daniel Kaluuya como líder dos Black Panther e Malcom & Marie, de Sam Levinson, onde a Netflix joga tudo para alavancar os seus atores: Zendaya e John David Washington.

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