Morreu aos 84 anos o jornalista Luís Filipe Costa

Responsável pela informação no Rádio Clube Português e voz do 25 de abril, Luís Filipe Costa foi também realizador de televisão e é pai do realizador Pedro Costa.

Jornalista, radialista e realizador de televisão, Luís Filipe Costa tinha 84 anos. Pai do realizador Pedro Costa, era casado desde 1990 com a atriz Isabel Medina. A notícia foi avançada pela RTP3 e confirmada à Lusa por fonte da família.

Nascido em 1936 em Lisboa, Luís Filipe Costa trocou o curso da Faculdade de Economia por uma carreira profissional na rádio. Dirigiu o Serviço de Noticiários do Rádio Clube Português (RCP) que, na década de 60, revolucionou o jornalismo radiofónico em Portugal. "Durante mais de 15 anos, inova, troca as voltas à censura, dá identidade a um jornalismo até aí praticamente inexistente", escreveu Cesário Borga num artigo sobre Costa quando ele recebeu o Prémio Gazeta de Mérito, em 2017. "Com Luís Filipe Costa, o Rádio Clube Português, atinge 18 serviços diários de notícias, apoiados numa redação permanente."

Luís Filipe Costa participou voluntariamente no 25 de Abril lendo, ao microfone do RCP, os comunicados do Movimento das Forças Armadas, a seguir a Joaquim Furtado.

Recebeu o Prémio da Casa da Imprensa para o melhor radialista em 1966 e 1974.

Luís Filipe Costa manteve-se no Rádio Clube até 1975, transferindo-se depois para a a RTP onde, após uma passagem pela redação, seguiu a carreira de realizador, produzindo documentários, biografias, programas de realidade ficcionada, etc. O filme Morte d'Homem recebeu em 1988 o Grande Prémio do Festival de Cinema para Televisão de Chianchino (Itália) e o 2.º Prémio do Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz.

"Luís Filipe Costa encontrou no Cinema para Televisão uma outra forma de chegar junto do grande público através de uma série de trabalhos baseados em obras suas ou por adaptação de outros autores", escreveu Carlos A. Henriques na homenagem que prestou ao jornalista.

A série documental Há só uma Terra, que introduziu o tema da ecologia na programação da televisão portuguesa, foi distinguida com o Prémio da Crítica do Diário de Lisboa.

É autor dos romances A Borboleta na Gaiola e Agora e na Hora da sua Morte.

Foi condecorado a 25 de Abril de 2011 com o Grau de Comendador da Ordem da Liberdade.

"Para os portugueses, a sua voz inconfundível e carismática, será sempre sinónimo de liberdade e a sua carreira sinónimo de rigor e de cultura", afirmou a ministra da Cultura, Graça Fonseca, numa nota de pesar.

(Notícia atualizada às 14:04 com a reação da ministra da Cultura)

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