Manobras. Festival de marionetas vai andar pelo país

Entre 13 de setembro e 31 de outubro, a terceira edição do Manobras - festival internacional de marionetas e formas animadas - vai andar pelo país. Um total de 10 municípios abre as praças, jardins e outros espaços às mais diversas manifestações artísticas, através do programa Artemrede

Um jardim, uma praça, um teatro ou uma biblioteca. Qualquer um destes espaços pode servir de palco à terceira edição do Manobras - o festival internacional de marionetas e formas animadas que vai percorrer o país, entre 13 de setembro e 31 de outubro.

Neste outono de marionetas - que traz a Portugal três companhias estrangeiras, e cuja apresentação decorreu esta quinta-feira, em Pombal (um dos municípios parceiros do programa Artemrede, promotor do festival) haverá espaço para todas as formas animadas de arte, num total de 19 espetáculos, cinco oficinas e quatro objetos audiovisuais de companhias nacionais e estrangeiras. "É um festival que está cada vez mais multidisciplinar", considera Marta Martins, diretora executiva da Artemrede, um projeto de cooperação cultural com 14 anos de atividade ininterrupta constituída por 17 associados. "A nossa missão é promover a interação entre territórios de diferentes escalas e trabalhar a especificidade desses territórios através do apoio à criação artística, à programação em rede, à formação e às práticas de mediação cultural", sublinha Marta, que a partir da cidade de Pombal anunciou a programa que vai espalhar-se por 10 municípios, este ano: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Pombal, Sobral de Montagraço e Tomar.

O arranque acontece em Pombal, a 13 de setembro, no emblemático Jardim da Várzea, preparado para receber o espetáculo Das Cinzas, da Fiar - Centro de Artes de Rua. A peça propõe "um percurso encantatório numa floresta, no qual os espetadores, quais peregrinos, sentem a terra com os pés e despertam os sentidos para a sua virtude. Atravessam a floresta como num percurso de iniciação, e eis que a Fenix passa, transformando tudo em fumo e cinzas. Quando se regressa à floresta, talvez ela já não seja a mesma, talvez já nem esteja lá, ou se tenha transformado numa outra coisa, onde restam apenas fumo, cinzas e memórias, mas no qual também é possível renascer".

A interpretação é de Branko Potocam, Clara Judas de Almeida Paiva, Inês Oliveira, Luciano Amarelo, e Madalena Judas de Almeida Paiva. A direção Artística é de Potocam, a conceção plástica é de António Melo e o apoio dramatúrgico de João Pedro Azul. O espetáculo segue depois para o Jardim do Mouchão, em Tomar, a 15 de setembro, e a 22 de setembro para o jardim 25 de Junho, em Alcanena.

"É muito importante levar estes espetáculos aos locais do património cultural local", sublinha Marta Martins, ao mesmo tempo que enfatiza outra particularidade deste 3º Manobras: a programação foi selecionada num processo de debate que envolveu os programadores dos diversos municípios, por um lado, e por outro os grupos de visionários: espetadores-programadores, que mais não são do que cidadãos comuns, numa iniciativa de promoção da acessibilidade às artes na qual espectadores selecionam uma parte da programação cultural do seu município, coordenados por um mediador local.

"Não são os municípios que devem condicionar as escolhas. São os cidadãos devem escolher os seus espetáculos", disse o presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, durante a apresentação do festival, certo de que "todas as pessoas que passam a ser visionárias percebem a enorme dificuldade que é fazer programação cultural". De resto, a Artemrede regista nos últimos três anos uma evolução do número de espetadores, que acompanha também o crescimento de espetáculos: os números globais apontam para 14 mil pessoas no ano passado, face a 12 mil do ano anterior.

Os visionários que decidem a programação

No 3º Festival Manobras participaram os Visionários dos municípios de Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Pombal e Tomar. A apresentação foi acompanhada pela maioria dos que integram o grupo de Pombal, gente com os mais diversos interesses e profissões, e de diversas idades. "Podemos dizer que 30% dos espetáculos foi escolhido por eles", salienta Marta Martins. Entre os visionários, fica claro que a motivação é diversa. Cláudia Costa, por exemplo, preocupou-se em escolher espetáculos acessíveis aos filhos, crianças com menos de 10 anos. A investigadora faz parte do grupo de 18 visionários que ajudaram a decidir a programação do Manobras, e personifica bem o espírito presente numa parte da programação. Afinal, a maioria dos espetáculos é gratuita e acessível a públicos de diferentes idades, desde as crianças aos idosos. Um exemplo desse registo transversal são os espetáculos Mapa, de Fernando Mota, criados para públicos infantil e adulto. Também a população sénior tem nesta edição um lugar cativo, nomeadamente no espetáculo Para Vós, de Cláudia Andrade. A programação completa pode ser consultada aqui.

Em 2019, a Artemrede integra 17 associados: os municípios de Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Almada, Barreiro, Lisboa, Moita, Montemor-o-Novo, Montijo, Oeiras, Palmela, Pombal, Santarém, Sesimbra, Sobral de Monte Agraço, Tomar e a associação Acesso Cultura.

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