Exclusivo 'Pteridomania', a obsessão que varreu a Inglaterra Vitoriana

Entre 1840 e 1890, uma febre de colecionismo alastrou por Inglaterra. A obsessão transversal a todos os estratos sociais foi apelidada de Pteridomania. Os campos viram-se invadidos por multidões na colheita de fetos. A apanha que deixou espécies à beira da extinção mereceu críticas, mas também nos conta histórias como a da paixão de um jovem botânico.

"Querida Mary. Ao lhe endereçar este humilde álbum, contendo algumas das "flores selvagens", recolhidas na famosa muralha romana ou nas suas proximidades, considerei que uma breve narrativa da expedição que acompanhou esta colheita se revestiria de interesse para si". O acervo online do Jardim Botânico Real de Edimburgo, Escócia, permite-nos visitar as palavras aqui reproduzidas, oriundas do século XIX e lavradas por John Sadler, entusiasta da ciência botânica. A 7 de agosto de 1858, John endereçou à sua estimada Mary, um exemplar do guia Flores Selvagens da Muralha Romana, adicionando-lhe uma dedicatória: "Para Miss Mary Drummond com o amor do autor". O homem, mais tarde nomeado curador do já referido jardim real, enriqueceu as páginas do álbum com 34 espécies de plantas com flor, musgos e plantas pteridófitas, comumente conhecidas como fetos. Todos os exemplares, secos e prensados no âmago das páginas do guia, resultavam da coleta empreendida por John numa caminhada de dois dias ao longo da Muralha de Adriano, testemunho da presença romana do século II d.C. em território britânico.

O tempo tratou de acrescentar valor emocional e científico ao volume com dedicatória à jovem a quem John pediu em casamento, contraindo matrimónio em 1861. O livro é também expressão de uma época que varreu a Inglaterra Vitoriana com uma febre botânica singular. Entre 1850 e 1890, os campos ingleses viram-se invadidos por colhedores de fetos, insaciáveis na vontade de acrescentar novos exemplares às suas coleções domésticas. Adultos, crianças, homens, mulheres, pessoas de diferentes condições sociais, botânicos amadores e profissionais, renderam-se à obsessão que ganhou nome, a Pteridomania, na escrita de Charles Kingsley, historiador, romancista e amigo do naturalista Charles Darwin.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG