Exclusivo No tempo em que o gelo da Noruega alimentava a gula de Inglaterra

Por perto de um século a Noruega encontrou na exportação de gelo um próspero negócio tendo em Inglaterra o principal mercado. Ali, afirmava-se uma crescente indústria de sobremesas frias. Dois nomes destacaram-se ao longo de 50 anos, os dos empresários ​​​​​​​Carlo Gatti e Agnes Bertha Marshall.

Na fronteira do século XIX com o século XX, a Noruega afirmava uma sólida posição global no comércio que nutria a procura crescente dos setores alimentar e da medicina. Do Norte da Europa à bacia do Mediterrâneo, de África à Índia, o mundo clamava por gelo de qualidade. A Noruega tinha-o, e abundante, nos fiordes e lagos. Dos portos do país nórdico saíam anualmente, por volta de 1890, mais de um milhão de toneladas de gelo, perto de metade para abastecer o mercado do Reino Unido. Na época vitoriana, um verão quente inglês, antecedido de um inverno frio norueguês, significava lucros consideráveis para os comerciantes de gelo.

Precedendo a viagem de dois mil quilómetros desde as geleiras nórdicas, impunha-se um afã de serração do gelo, transporte até à costa, depois marítimo, subida do rio Tamisa em barcaças e acondicionamento em poços com 12 metros de profundidade. Um caminho que também se fazia com prejuízo. Matéria-prima volúvel, o gelo apresentava até 20% de perda de água no decorrer do transporte.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG