Exclusivo Jeanne Villepreux-Power, a costureira do século XIX que inventou o moderno aquário

Na ilha da Sicília, onde se estabeleceu, a bióloga marinha francesa Jeanne Villepreux-Power desenvolveu alguns dos princípios da aquacultura sustentável e desvendou um dos enigmas da vida dos moluscos marinhos.

Mestre na defesa, o caranguejo-eremita faz do seu calcanhar de Aquiles, o abdómen mole e exposto aos predadores, um dos traços distintivos que o deixa há séculos sob os olhos de biólogos marinhos. Desprovido da proteção quitinosa espessa que cobre os corpos dos seus pares crustáceos de outras espécies, o caranguejo-eremita aconchega o abdómen no interior das conchas de moluscos mortos. Erigida a defesa, o bernardo-eremita, como também é conhecido aquele crustáceo, transporta-a continuamente, nas expedições de caça que alimentam o seu apetite voraz.

Em meados do século XIX, a comunidade científica admitia que o Argonauta argo, molusco cefalópode habitante de águas tropicais e subtropicais, agitava os seus tentáculos a partir do interior de uma concha tomada de assalto, tal como o faz o caranguejo-eremita. A década de 1840 escreveria um novo capítulo na descrição da espécie também encontrada no mar Mediterrâneo. O anúncio de que o Argonauta argo fabricava a sua concha a partir de secreções por si produzidas, chegou de Messina, na ilha da Sicília, a partir de uma voz inesperada nos meios científicos da época, a de Jeanne Villepreux-Power. Francesa, nascida em 1794, Jeanne vivia desde 1818, após casamento com o próspero comerciante James Power, na localidade situada nas margens do mar interior. À mestria na costura, ofício para o qual se formara, Villepreux somou a perseverança no estudo da geologia, arqueologia e história natural.

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