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Procurar, ou o risco de ser encontrado

Em 2013, propus-me a uma demanda literária: encontrar as reportagens que Gabriel García Márquez tinha escrito sobre Portugal durante o PREC. Antes de ser escritor, o colombiano tinha sido jornalista e fundara uma revista chamada Alternativa. A sua primeira história internacional, tinha ele contado nas suas memórias, fora uma série de reportagens sobre os dias que sucederam a Revolução dos Cravos. Mas, por mais que eu procurasse, não encontrava neste lado do charco um qualquer rasto desses escritos.

O foguetão que levantou do Cais Sodré

Na madrugada de terça para quarta-feira, à porta do Roterdão Club, um rapaz argentino gastou todos os dados do telemóvel para mostrar à namorada um vídeo no YouTube. Era a noite de aniversário de David Bowie e a discoteca lisboeta celebrou a efeméride. Passou, aliás, toda a semana em comemorações. Hoje, sábado, é a última noite de festa - há um concerto dos Starmen, banda de tributo ao Camaleão. O argentino queria mostrar à sua miúda o vídeo que Chris Hadfield gravou na Estação Espacial Internacional. O astronauta canadiano cantou o tema Space Oddity com gravidade zero e com isso confirmou uma certeza: Bowie não era só deste mundo. Agora, na rua cor-de-rosa, um par latino-americano embarcava no mesmo foguetão que o cantor tinha lançado para a galáxia cinquenta anos antes. No telemóvel, a contagem decrescente - lá vai um foguetão a caminho de Marte.