Autores

Suu Kyi, a minha heroína que já não o é

Li há dias que um barco com refugiados rohingyas tinha chegado à ilha de Sumatra, na Indonésia, depois de sete meses em alto mar. Sete meses! E quase em simultâneo, o The New York Times publicou o testemunho de dois soldados birmaneses sobre os assassínios e as violações que lhes foi ordenado fazer contra esse pequeno povo muçulmano, cerca de um milhão de pessoas, três quartos das quais vivem hoje em campos de refugiados no Bangladesh depois de fugirem das suas cidades, vilas e aldeias no estado de Rakhine, na costa do Índico. Sem surpresa, pois, também há dias o Parlamento Europeu decidiu retirar o Prémio Sakharov para os Direitos Humanos a Aung San Suu Kyi, a líder da Birmânia, que até agora pouco ou nada fez para proteger os rohingyas da violência dos militares e dos extremistas budistas e chegou a ir em 2019 a Haia, ao Tribunal Internacional, responder por acusações de genocídio.

Um discurso de fé nos europeus 

Foi uma fortíssima declaração de fé na União Europeia aquilo que Ursula von der Leyen fez nesta manhã, dirigindo-se muito aos jovens. A presidente da Comissão Europeia não só elogiou a cooperação entre os Estados membros no combate à covid-19, desde os corredores verdes quando as fronteiras estavam fechadas até ao repatriamento solidário dos pontos mais remotos do planeta, como declarou que os europeus têm de estar na linha da frente na procura de uma vacina, garantindo que esta será para todos e não apenas para aqueles que a possam pagar. Como realçou, o nacionalismo nas vacinas mata, só a cooperação internacional salvará vidas.

Mais uma lança israelita no mundo árabe

Dois países árabes a reconhecer Israel em apenas um mês é um acontecimento histórico de rara envergadura. Primeiro foram os Emirados Árabes Unidos, agora é o Bahrein. Basta pensar que quando o Estado Judaico celebrou 70 anos, em 2018, mantinha relações diplomáticas no mundo árabe apenas com Egito e Jordânia (a Mauritânia reconheceu Israel em tempos, depois recuou) para se perceber o alcance do que está a acontecer e que é muito mais do que meras vitórias políticas de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, e de Donald Trump, o presidente americano que tem sido o seu patrono em todo o processo de normalização com os países sunitas do Médio Oriente.

E se um jornal de Goa voltar a escrever em português? Aconteceu

A língua portuguesa ressuscitou este domingo no mais antigo jornal de Goa e isso é uma boa notícia. Será só uma vez por semana, e apenas alguns artigos, mas é significativo que O Heraldo, que está a celebrar 120 anos, diga que o faz a pedido de leitores seus. Não é nostalgia, é sinal de uma redescoberta pelos goeses de uma língua que chegou a ser a de muitas famílias em casa - para algumas continua a ser e há quem cante fado - e que influenciou muito o concanim, a língua local. António Lobo, num artigo publicado já este domingo em português, dá os exemplos de "doens" para doença, também "cazar", "sushegad" ou "xarop".

Abe sai mas ambições do Japão ficam

Os oito anos de Shinzo Abe como primeiro-ministro chegam e bastam para lhe dar o recorde de longevidade política no Japão pós-Segunda Guerra Mundial. E se parece pouco quando comparado com o tempo de serviço do russo Vladimir Putin, do turco Recep Erdogan ou da alemã Angela Merkel, a verdade é que dos participantes da cimeira do G20 de 2013, a primeira desta governação agora finda, só continuam no poder os três líderes já referidos e o chinês Xi Jinping, então também um estreante. Ou seja, Abe era um veterano da política internacional, tanto mais que tinha tido uma anterior experiência como primeiro-ministro em 2006-2007. E o Japão beneficiava da visibilidade do seu governante, que além do legado económico deixa também um caminho de afirmação do país como potência, pois foi com ele que dois modernos porta-helicópteros entraram ao serviço, e foi também por decisão sua que um deles, o Izumo, começou a ser transformado num porta-aviões. É uma classe de navio que a Marinha japonesa não possui desde a derrota militar em 1945 e mostra até que ponto existe hoje tensão na Ásia Oriental.

"Passos Coelho é alguém que pode federar o espaço não socialista"

Vasco Rato, académico, ex-presidente da FLAD e antigo dirigente do PSD, critica Rui Rio por não se apresentar como alternativa ao PS, acusa Costa de falta de vantagem reformista e confessa não gostar de como Marcelo assume o mandato presidencial. Sobre a América, diz que Trump tem uma visão para o país e considera que com mudança ou não de líder os Estados Unidos não mudarão de política perante a ascensão da China.

Nem os 7-0 deitaram o Vitória ao chão!

Fiz duas reportagens de futebol internacional na minha carreira: uma com o Sporting em Jerusalém, porque era época de atentados e o diretor de então achou que eu era homem para fazer as duas coberturas, a do jogo da UEFA e a do conflito israelo-árabe; a segunda foi com o Vitória de Setúbal em Roma, ainda hoje penso que o Mário Bettencourt Resendes e o António Ribeiro Ferreira (diretor adjunto) me quiserem dar uma prenda, por eu ser do clube e este há mais de duas décadas estar arredado das competições europeias.