Walt Disney. O reconhecimento dourado de um criador de sonhos

De distinções honorárias a Óscares de competição, Walt Disney é recordista de estatuetas douradas

"Não está orgulhoso, Sr. Disney?", a pergunta é de Shirley Temple. "Estou tão orgulhoso que acho que vou rebentar." 23 de fevereiro de 1939 é uma data inesquecível entre as várias que assinalaram o percurso do consagrado produtor. No Biltmore Hotel, em Los Angeles, teve lugar a 11.ª cerimónia de entrega dos Óscares, na qual Walt Disney foi alvo de uma das mais belas homenagens na história dos prémios (então presididos por Frank Capra, a quem se atribuiu a ideia criativa): uma estatueta personalizada, que reproduz as personagens de Branca de Neve e os Sete Anões - com sete miniaturas em escadinha até à figura dourada principal - entregue pela criança predileta de Hollywood, que se certificou do amor-próprio do homenageado.

Era o segundo prémio honorário, de entre os quatro com que foi agraciado, numa lista total de 26 Óscares (22 dos quais em categorias competitivas, de 59 nomeações), a fazer dele o homem mais galardoado da indústria até aos nossos dias.

Mas foi ainda antes de Branca de Neve que tudo começou. E como o próprio gostava de lembrar, tudo começou por um rato... Mickey Mouse, a sua genuína criação que, em 1932, lhe valeu o primeiro Prémio Especial da Academia, destinado a notabilizar feitos que não cabem em nenhuma outra categoria (distinção, por essa altura, já feita a Charlie Chaplin, em 1929).

Nesse ano da 5.ª cerimónia, realizada na atmosfera íntima de um salão de hotel, com transmissão apenas por rádio - longe do aparato mediático que agora conhecemos -, Walt Disney recebia também o seu primeiro Óscar pela curta-metragem Flowers and Trees, pioneira no uso de Technicolor em cinema de animação. A partir daí, somaria consecutivas estatuetas, ao longo da década de 1930, em filmes curtos, como o famoso Os Três Porquinhos (1933).

Ao observarmos esta fase inicial das suas conquistas, é curioso verificar como a música, aspeto intrínseco a qualquer filme com o selo Disney, passou despercebida até 1941, ano em que Pinóquio inaugurou essa outra parte do reconhecimento artístico dos estúdios, através de a canção original When You Wish Upon a Star. Em tempos de guerra, que bem terá soado esta melodia tranquilizante, repleta de esperança na letra, a enaltecer a concretização dos sonhos...

Justamente, Walt Disney não abdicava deles, e a determinação absoluta em realizá-los teve o seu momento mais controverso com Fantasia (1940), hoje apreciado como a obra-prima que é, mas na altura da estreia considerado por muitos um desastre financeiro. O filme tinha exigido um orçamento extraordinariamente elevado para a época, e como chegou às salas americanas numa altura em que os Estados Unidos enviavam recursos para a Europa em guerra, o dinheiro para o entretenimento escasseava. A incrementar a adversidade, o plano da empresa pressupunha exibir Fantasia em salas especiais, com equipas qualificadas para trabalhar com o dispendioso sistema de som "Fantasound"... Os resultados de bilheteira não acompanharam a dimensão do projeto, e fizeram tremer a estrutura empresarial.

Disney sentiu essa falha no fundo do coração, e quando, em 1942, subiu novamente ao palco do Biltmore Hotel para aceitar o Irving G. Thalberg Memorial Award (prémio exclusivo para produtores que demonstrem produção constante de filmes de qualidade), deixou-se levar pelas lágrimas. "Todos cometemos os nossos erros, eu sei, mas foi um erro honesto", disse. Referia-se, claro, a Fantasia, que nesse ano fora distinguido com mais um Óscar honorário, pelos avanços sonoros, e sobre o qual já ninguém o censurava. Mas, para Disney, era preciso fechar este capítulo com dignidade. Afinal, a sua glória ainda tinha muito mais a escalar.

Logo no segundo ano em que a cerimónia dos Óscares foi transmitida pela televisão, 1954, Disney arrecadou, não uma, não duas, não três... mas quatro estatuetas! Em 1960, comprou 20 miniaturas do Óscar gravadas com o nome dos filmes e ofereceu-as à mulher, em forma de colar.

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