Verão de blockbusters, animação, Meryl Streep e Eastwood

Está fresquinho nas salas e, acima de tudo, há muito para ver. Aqui ficam algumas pistas num menu em que até os animais falam

A hora de ponta do "verão americano" cinematográfico aconteceu na primavera. Alguns dos mais relevantes summer movies já tiveram a sua estreia. O mercado americano antecipa sempre o verão, mas até meados de setembro ainda há alguns blockbusters, entre os quais Esquadrão Suicida, a maior aposta da Warner, um filme de super-heróis com algumas nuances.

Para já, insere-se na nova lógica do universo cinematográfico da DC Comics, um pouco em resposta à Marvel. Além do mais, é um filme inspirado em anti-heróis, ou melhor, em supervilões que estavam do outro lado da lei mas que agora estão juntos para servir um força secreta governamental. A história inclui o Batman novo de Ben Affleck, mas o prato forte será um Joker novinho em folha, neste caso com assinatura de Jared Leto.

Depois do trailer épico e grandioso são muitos os que acreditam que é o filme que vai agradar aos verdadeiros fãs do género e os analistas colocam-no como previsível campeão de bilheteiras. Previsões que vão depender, claro, se o filme faz jus ao referido trailer. Não esquecer que a seu favor há um elenco com trunfos: Will Smith, mesmo sem o apogeu de outras eras, e a inevitável dupla de beldades: Cara Delevingne e Margot Robbie. Chega aos ecrãs em todo o mundo a 4 de agosto.

Há outro cineasta autor também na luta pelo trono dos mais rentáveis. Paul Greengrass volta à saga onde já foi feliz. O irlandês tem pronto outro Bourne e, de novo com Matt Damon. Acima de tudo, este franchise, bem popular no mundo inteiro, conseguiu algo quimérico: estabeleceu-se como a verdadeira alternativa americana a James Bond. Aliás, logo no primeiro 007 da era de Daniel Craig o modelo era precisamente este. Jason Bourne, aconteça o que acontecer, será um dos casos fortes deste verão, para confirmar no dia 28 de julho.

As animações vão dominar

Se houver surpresas como a de Mínimos, no ano passado, A Vida Secreta dos Nossos Bichos, de Chris Renaud e Yarrow Cheney, é o candidato mais seguro. Primeiro porque vem com a chancela dos estúdios Ilumination, os mesmos mestres de animação de Gru - O Maldisposto e de Mínimos, segundo porque tem o trailer mais divertido de todos. Uma animação que imagina o que acontece quando os animais domésticos ficam sozinhos em casa depois de os donos saírem para trabalhar. Sente-se que é um humor que serve a muitos tipos de público, já para não falar que estamos num verão em que a Pixar já bateu recordes com a sequela de À Procura de Nemo, À Procura de Dory (estreia-se nesta semana em Portugal).

De referir que A Idade do Gelo: O Big Bang, da Fox, estreia-se também dia 21 de julho e certamente vai voltar a ser um fenómeno de popularidade. Outro dos blockbusters mais esperados é o terceiro Star Trek da era moderna, Star Trek - Além do Universo, de Justin Lin. Este é o primeiro Star Trek não realizado por JJ Abrams. Prevê-se um espetáculo de ficção científica com um potencial de filme de ação. Em Portugal chega igualmente às salas 4D da NOS.

O verão também traz autores

O calendário americano tem também filmes de prestígio, além dos papões de bilheteiras. No começo de agosto estreia-se nos EUA (por cá um mês depois) um dos filmes que podem "durar" até aos Óscares: O Fundador, de John Lee Hancock, com Michael Keaton a interpretar o fundador da cadeia McDonalds, Ray Kroc. Um retrato de um sonho americano que promete ser tudo menos sisudo. Mas em setembro há outra história verídica : Sully, o novo de Clint Eastwood, crónica de um milagre humano - o comandante americano que, em 2009, salvou 155 vidas do avião que pilotava e aterrou em pleno rio Hudson, em Nova Iorque. Fala-se numa grande interpretação de Tom Hanks, ator que está a precisar de um novo fôlego na sua carreira. Pode estar aqui o grande filme do verão.

Florence Foster Jenkins - Uma Diva Fora do Tom, de Stephan Frears, já visto pelo DN depois de estrear-se no Reino Unido, será ainda uma das coqueluches de fim de estação. Meryl Streep a dar vida à socialite americana que nos anos 1940, já com idade avançada, conseguiu chegar ao Carneggie Hall mesmo com dotes líricos nulos e uma propensão hilariante para o desafinação. Uma Streep hilariante, secundada por um impecável Hugh Grant. Trata-se de uma comédia com timings cómicos no ponto e com uma enorme ternura pelas personagens. Tem tudo para agradar a um público bem diverso e vasto, coisa em que talvez O Amigo Gigante, de Steven Spielberg (chega no começo de julho), tenha mais dificuldades. De certa maneira, o conto infantil que o mago adapta de Roald Dahl pressupõe uma linguagem contra-corrente, longe dos atuais ruídos e espalhafatos.

Nota ainda para A Canção de Lisboa, de Pedro Varela, que poderá dominar as bilheteiras. O filme português chega em meados de julho e reinterpreta o clássico de 1933, de Cottinelli Telmo, e aposta no cariz cómico de César Mourão. Um bom teste para o futuro do cinema comercial nacional.

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