Uma tarde inteira para ver o mundo com outros olhos

O Teatro Maria Matos, em Lisboa, encerra a programação deste ano na rua e no jardim do Bairro das Estacas. É o Ao Ar Livre.

Chama-se Ao Ar Livre, acontece desde 2009, e o seu nome é para ser lido literalmente, segundo Susana Menezes, programadora do Teatro Maria Matos, em Lisboa, em tudo ao que aos mais jovens diz respeito. A tarde de amanhã, na Rua Bulhão Pato e no jardim do Bairro das Estacas, ganhou este nome porque é feita no exterior, porque é para todos e de entrada gratuita. Mais: pode entrar-se e sair a qualquer hora.

A ecologia é o tema que perpassa toda a programação, partindo de uma premissa: "Tudo o que está à nossa volta pode ter uma outra vida." A explicação é de Susana Menezes e pode ser usada para quase todas as propostas artísticas que vão passar pela rua e pelo jardim vizinho ao Maria Matos, entre as 15.00 e as 19.00. Também há ideias para comer, às 20.30, e para dançar, até às 22.00. "É uma proposta de que todos podem usufruir em conjunto do programa artístico", resume.

A Companhia Katakrak leva para o jardim "duas coleções de objetos, de brinquedos, todos construídos a partir de material reciclado, instalados no jardim, são engenhos poéticos que procuram responder a questões sobre eletricidade, energias renováveis, a eletrónica, mostrando que as peças podem ser todas reconstruídas. Tudo o que está à nossa volta pode ter uma outra vida".

Há oficinas voltadas para a ciência e para a reciclagem, a pensar nos próximos anos: "Como vai ser a comida do futuro?", "vamos comer algas e grilos, como vão ser os petiscos do futuro?", "quanto carbono guardam as árvores do jardim?", são algumas das perguntas destes ateliês contínuos que acontecem no jardim. Detalhe importante: estas atividades são contínuas e qualquer criança se pode juntar, a qualquer hora. "Não há uma hora de início e de fim, estão sempre preparados para receber meninos", nota.

De um ponto de vista mais artístico, há oficinas para miúdos respigadores e construtores artesanais. "Há objetos que só precisam de ar para funcionar", refere a diretora de programação.

Neste ano, pela primeira vez, há ideias - uma proposta de exploração sensorial ligada ao tema da ecologia - para bebés a partir dos 6 meses. "Tivemos uma proposta da Joana Quadros e da Maria Peres, que são educadoras, mas também trabalham na área das artes plásticas, têm feito um trabalho exploratório que achamos interessante aproveitar para olhar para estes materiais como brinquedos."

Susana chama a atenção para outras duas atividades que podem atrair os miúdos: bicicletas escaganifobéticas para pedalar de maneira diferente ou o submarino transparente, completamente autónomo, em que as crianças fazem pequenas viagens. O fundo do mar naquele dia é o jardim, com cardumes de pessoas a passar ao lado.

Na Rua Bulhão Pato, há uma cozinha na rua, para comer, para estar e para dançar. A partir do trabalho da associação Muita Fruta, que aposta na sensibilização para o património ambiental da cidade (e as muitas árvores de fruto, privadas e públicas, que existem em Lisboa), haverá uma oficina de pão e um grupo de mulheres sírias ensina a culinária do seu país.

E até na música se quer ver o mundo de maneira diferente. Em vez de um DJ, a playlist resulta das propostas das crianças nos últimos dois meses.

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