Um dilema geométrico

Crítica a "O Quadrado", de Ruben Östlund.

Logo depois de Ruben Östlund ter ganho a Palma de Ouro com este O Quadrado, a cena do homem-macaco que sobe para cima de uma mesa num jantar de gala tornou-se um símbolo. Tanto assim é que, convertida em cartaz, a imagem tem o efeito de um shot: a acidez do contraste entre um corpo bruto e um cenário faustoso.

E esta é literalmente a maior atração de um filme que não vai além do jogo de performances, sempre a testar a nossa relação com o inusitado, mas sem provocar grande estranheza... Vindo de um realizador como Östlund, que antes nos deu o brilhante Força Maior, parece apenas uma brincadeira em grande estilo, com uma sofisticação narrativa que, apesar de refletir sobre a sociedade e a arte contemporânea, quase se anula.

De resto, os dilemas que se erguem nem chegam bem a ganhar espessura, ficando presos na geometria do próprio filme.

Classificação: ** Com interesse

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