"Agente laranja". Trump foi alvo dos artistas na noite dos Grammy

Músico Busta Rhymes chamou "agente laranja" ao presidente norte-americano, numa alusão à cor do cabelo de Trump e a um agente químico utilizado pelos Estados Unidos na guerra do Vietname

A 59.ª edição dos prémios Grammy, que decorreu ontem à noite no Teatro Microsoft de Los Angeles, Califórnia, foi pontuada por algumas declarações políticas, sobretudo de artistas que se opõem ao novo Presidente, Donald Trump.

"Este é precisamente o momento para os artistas meterem mãos à obra", disse a cantora norte-americana Jennifer Lopez, citando a escritora afro-americana Toni Morrison, embora sem referir o nome do Presidente norte-americano.

"Não há tempo para o desespero, (...) não há necessidade para o silêncio nem espaço para o medo", acrescentou.

O apresentador James Corden invocou o Presidente norte-americano logo na abertura da cerimónia: "Vivam tudo ao máximo, porque com o Presidente Trump não sabemos o que vem a seguir", disse.

A tirada política mais forte coube, no entanto, ao grupo de rap A Tribe Called Quest (ATCQ), com o músico Busta Rhymes a juntar-se em palco para cantar a música "We the people" no Teatro Microsoft de Los Angeles.

Busta Rhymes chamou "agente laranja" ao Presidente norte-americano, em alusão ao seu cabelo, mas também a um químico utilizado pelos Estados Unidos durante a guerra do Vietname.

"Quero agradecer ao Presidente agente laranja por perpetuar o mal por todos os Estados Unidos", disse.

"Todos os negros, vocês devem partir; todos os pobres, vocês devem partir; todos os mexicanos, vocês devem partir; todos os muçulmanos e homossexuais, as pessoas detestam a vossa forma de estar e enquanto pessoas do mal devem partir", cantaram os 'rappers', criticando a ordem executiva anti-imigração de Trump e o muro que ele quer construir na fronteira com o México.

Os 'rappers' entoaram repetidas vezes "We the people" [Nós, o povo], e terminaram a atuação a gritar "Resist! Resist! Resist!" [Resistam! Resistam! Resistam!], enquanto pessoas de várias etnias subiam ao palco.

A atuação de Katy Perry incluiu algumas mensagens políticas e a apresentação do preâmbulo da Constituição norte-americana.

Mas ao contrário das cerimónias dos Globos de Ouro e Prémios do Sindicato de Atores [Screen Actors Guild Awards], Trump não foi uma referência nos discursos de aceitação dos prémios.

A gala desta noite contou também com uma declaração pró-Trump. A cantora Joy Villa chegou coberta com uma capa branca, que depois tirou para revelar um vestido justo azul e branco com o 'slogan "Make America Great Again" estampado na frente, e a inscrição "TRUMP" na cauda em cor prateada.

Na sua conta de Instagram, Villa, mais conhecida pelas suas declarações na passadeira vermelha do que pelas suas atuações, disse: "Toda a minha plataforma artística é sobre o amor".

A declaração foi repudiada em comentários no Twitter e Instagram.

Ao prestar homenagem ao ícone do jazz e do soul Al Jarreau, que faleceu no domingo, o músico Gregory Porter, laureado com um Grammy, disse que "o jazz é a música da liberdade e Al a sua encarnação".

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