Tabanka Djaz e Kimi Djabaté: a Guiné-Bissau no Rock in Rio

Kimi Djabaté inaugurou este sábado o palco do EDP Rock Street África. Seguiram-se os Tabanka Djaz, que tal como ele são oriundos da Guiné-Bissau

Sentada num dos muitos insufláveis vermelhos distribuídos na Bela Vista pela Vodafone está Helga Saraiva Stewart. Nascida em Angola, viveu 25 anos em Londres, no Reino Unido, tendo regressado agora a Portugal. "É a primeira vez que venho ao Rock in Rio. Acho muito boa ideia este palco África. Vim ver os Tabanka Djaz e Bonga", diz ao DN a empresária em nome individual, de 44 anos, que aos primeiros acordes da banda guineense abandona o insuflável. Para não mais lhe pegar. Dançou, dançou e dançou. O tempo todo. Alegre e de sorriso no rosto.

Os músicos guineenses, embaixadores do estilo gumbé, tocaram temas como Silêncio, Rusga Di, Nha Roseta e Foi Assim. O público, numa espécie de primeiro estranha-se e depois entranha-se, começou a fotografar, filmar e, depois, dançar. "Para mim é surpreendente este palco, sim, porque este é um festival basicamente de pop/rock, mas penso que só pecaram talvez na divulgação. Uma vez que optaram por fazer uma coisa diferente deveriam ter apostado mais na divulgação. A reação do público foi muito boa. As pessoas vão passando, gostam, param. Os mais curiosos, os que gostam, vão ficando. Conseguimos reunir gente que nos ajudou a fazer a festa", afirma ao DN, após o final do concerto, Micas Cabral, vocalista dos Tabanka Djaz.

A banda assinala este ano três décadas de carreira e já tem várias iniciativas comemorativas pensadas. "Vamos fazer um concerto na Aula Magna e lançar um single lá para finais de outubro. Também vamos lançar o DVD dos 25 anos de carreira que foi um concerto no Coliseu. Isto além das digressões que vamos fazendo pelo mundo".

Antes dos Tabanka Djaz tocou Kimi Djabaté, com as suas influências mandingas, acompanhado de uma orquestra de músicos virtuosos. Sobretudo o que tocava kora. Sentando frente a um xilofone, Djabaté incitava o público a dançar, mas a tarde estava no início e o sol fazia-se sentir muito forte. Insuportável mesmo.

Mesmo assim, houve quem viesse de propósito para vê-lo, uma vez mais. Foi o caso de Eleni Kalamara, uma grega que vive há seis anos em Portugal e trabalha com estatísticas numa agência europeia com sede em Lisboa. "Gosto de música de vários países. Já vi o Kimi várias vezes em Portugal, Gosto muito de vê-lo tocar", conta ao DN, acrescentando que, em seu entender, "faz todo o sentido ter aqui um palco todo dedicado a África".

Depois de Kimi e Tabanka, da Guiné, aos quais se seguiu Bonga, de Angola, este domingo é a vez de subirem ao palco do EDP Rock Street Karlon, português de origens cabo-verdianas, acompanhado de vários convidados especiais, seguido de Ferro Gaita. Estes últimos são um nome maior da música tradicional de Cabo Verde e cabeça de cartaz deste domingo neste palco do Rock in Rio. Baloji, belga de origens congolesas, cancelou, entretanto, a sua participação por motivos relacionados com as ligações aéreas, indicou a organização do festival.

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