O lusodescendente que pôs Josefa de Óbidos no Louvre

Philippe Mendes comprou em leilão o quadro que ontem chegou às paredes do Louvre. Também inaugurou uma exposição de faiança portuguesa na sua galeria, em Paris. Tudo para mostrar que a arte portuguesa é tão boa ou melhor que as outras

O Museu do Louvre tem na sua exposição permanente, desde ontem, um quadro de Josefa de Óbidos, Maria Madalena confortada pelos Anjos. A obra foi comprada pelo lusodescendente Philippe Mendes num leilão da Sotheby's por 238 mil euros para ser uma espécie de ponto de partida para uma galeria portuguesa no museu francês. Esta é uma parte do caminho para divulgar a arte portuguesa que Philippe e "os amigos" estão a fazer.

Foi um momento "muito comovente", diz o galerista nascido em Paris filho de pais portugueses. Estudava Direito quando, no 2º ano, entrou no curso de história de arte do Louvre. Trabalhou no museu durante cinco anos e apercebeu-se de que ali não havia pintura portuguesa. "E os que havia estavam na galeria de pintura espanhola." Foi então que começou a pensar que "era bom que a arte portuguesa estivesse melhor representada". E agora não descansa enquanto não houver uma galeria de pintura portuguesa. Já há planos nesse sentido, entre a comunidade portuguesa: "já temos uma ideia precisa, o próximo quadro vai ser um primitivo", revela.

Quando ontem parou para falar ao DN, já o quadro de Josefa estava na parede do Louvre, após uma cerimónia restrita de doação em que esteve presente o embaixador português. Philippe preparava a inauguração da exposição de faiança, Um século a branco e azul - As artes do fogo em Portugal no século XVII, mais tarde, na galeria Mendes, na Rue de Penthiévre. Porque divulgar a arte portuguesa "não é só o Louvre, o Louvre é uma grande janela sobre a pintura portuguesa."

A mostra, organizada com a lisboeta Galeria de São Roque, quer "dar eco" da entrada do novo quadro português no museu. "Josefa de Óbidos é completamente desconhecida aqui, tivemos de mostrar outro aspeto das artes portuguesas, que é a faiança do século XVII e que teve uma enorme importância na influência das artes decorativas na Europa, com a cerâmica azul e branco." A exposição, que junta 60 obras, fica até 30 de janeiro. "Fala-se muito da arte italiana e francesa, da portuguesa ninguém sabe e é tão boa ou melhor..."

Entretanto Philippe irá várias vezes ao Louvre, como sempre faz. "Vou sempre em contínua formação do olho. Agora já se pode ir formar o olho com quadros portugueses", diz sorridente.

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