Morreu o criador de "Cheque mate na ditadura"

O cartoonista faleceu esta terça-feira, em Lisboa, aos 74 anos

O cartoonista Zé Dalmeida, arquiteto, designer e escultor, que colaborou com títulos da imprensa como o Diário de Lisboa, morreu esta terça-feira, em Lisboa, aos 74 anos

As cerimónias fúnebres de José de Almeida, criador de "Cheque mate na ditadura", que assinava Zé Dalmeida, realizam-se na quarta-feira, entre as 16:00 e as 22:00, na Casa da Achada, em Lisboa, segundo a mesma fonte, que não deu pormenores do funeral.

O artista gráfico nasceu no Fundão, na Beira Baixa, e dedicou-se sobretudo ao cartoon

Publicou os seus primeiros desenhos humorísticos na década de 1960, no Diário de Lisboa, foi cartoonista em diversos jornais, como o Jornal do Fundão e o Página 1, e cofundador da revista de defesa do consumidor Conteste.

Publicou vários álbuns, o primeiro dos quais "Cheque mate na ditadura", em 1975, outros em parceria, como "Coisas do Vinho", com Manuel da Silva Ramos, "Gazeta do Cartoon", com Fernando Relvas, e "Humor em Sustenido", com comentários de António Pinho Vargas.

A sua obra foi distinguida com diferentes prémios, entre os quais o Stuart Carvalhais, do Conselho de Imprensa, em 1985, e o Prémio Municipal Rafael Bordalo Pinheiro, em 1993 e em 1994

Em fevereiro do ano passado, esteve patente uma exposição das suas obras durante o XI Congresso da Confederação Geral dos Trabalhadores - Intersindical (CGTP-IN), que se realizou em Lisboa.

Em dezembro de 2013, no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, expôs "Poetas Como Nós", uma mostra de figuras em cerâmica de poetas portugueses, concebidas por Zé Dalmeida.

Fernando Pessoa, Luís de Camões, Natália Correia, António Gedeão ou Manuel Alegre foram alguns dos poetas que moldou em barro, a par de Barbosa du Bocage, António Aleixo, Sophia de Mello Breyner Andresen, Alexandre O'Neil, Florbela Espanca, Almada Negreiros, José Gomes Ferreira, e José Afonso.

O ELOGIO DE PAULOURO NEVES

Há uma coisa terrível na morte dos amigos, que amamos como parte inteira de nós

Nos últimos anos, desenvolveu oficinas na Casa da Achada, sob o lema "Make war with cartoons".

Documentou a crise dos anos de 1980 com um "Estendal de Cartoons" que viriam a ser publicados pela União dos Sindicatos de Lisboa.

A CGTP-IN, em comunicado hoje divulgado, afirma que foi "com grande pesar" que tomou conhecimento da morte de Zé Dalmeida, "arquiteto, designer e escultor profundamente ligado" à central sindical, "que marcou indelevelmente" a sua "imagem gráfica, designadamente, enquanto criador do seu 'lettering'".

"Zé D'Almeida criou para a CGTP-IN, ao longo de décadas, materiais gráficos, muitos dos quais se tornaram conhecidos de todos os portugueses, [como] o 'lettering' da greve geral, usado pela CGTP-IN".

Foi também, acrescenta a central sindical, "o autor da maior parte dos cartazes do 1.º de Maio, das greves gerais e de muitos outros materiais editados pela CGTP-IN, incluindo a capa dos dois volumes do livro 'Contributos para a História do Movimento Operário e Sindical'".

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