Miúdos, aqui é permitido partir tudo

"Mesa de Trabalho" é uma instalação artística que propõe às crianças (e aos adultos) partir um objeto para depois criar algo novo.

Já alguma vez tiveram vontade de, literalmente, partir a loiça toda? Pois esta é a vossa oportunidade. Este fim de semana, o Teatro Maria Matos propõe aos mais novos uma Mesa de Trabalho muito especial. Aqui, são todos convidados a "desfazer objetos". Podem partir, furar, esmagar, arrancar, estraçalhar, serrar, cortar, rasgar brinquedos e outros objetos do vosso quotidiano. Sem dó nem piedade, nem sequer sentimento de culpa. Mas, atenção, depois de tanto destruir há que criar algo.

Expliquemos. Mesa de Trabalho é um projeto da neozelandeza Kate Mcintosh, que estudou dança mas trabalha geralmente nas fronteiras da performance, teatro, vídeo, instalação. Worktable foi uma criação inserida no evento "Performance is a Dirty Work", da Roehampton University, de Londres, há já cinco anos. Trata-se de uma instalação que vive da participação do público. Apesar de inserido na programação para crianças e jovens do Teatro Maria Matos, pelas suas características especiais, o evento acontece no Palácio Pombal, na rua de O Século, no Bairro Alto.

Quando lá chegarem, tudo vos será explicado ao pormenor, mas ficam já a saber que as entradas acontecem de 15 em 15 minutos e cada criança (preferencialmente com mais de seis anos) deve ser acompanhada por um adulto. A dupla entra para uma sala onde terá à sua disposição várias prateleiras repletas de objetos, dos quais tem de escolher apenas um. Pode ser uma máquina de escrever ou um urso de peluche ou um jarro de loiça ou um despertador ou uma raqueta de ténis ou um leque ou outra coisa qualquer.

Depois, passam para outra sala onde tem à sua disposição uma série de ferramentas e vai poder desmembrar esse objeto. Destruí-lo como melhor entender. "Talvez de uma forma violenta, talvez com muito cuidado", diz Kate Mcintosh. Para algumas pessoas é uma experiência de libertação, de descompressão. Outras pessoas sentem verdadeira tristeza por ver os objetos estragados.

Depois, há que recolher todas as partes do objeto destruído, colocando-os num tabuleiro, e passar para a sala seguinte, onde estão outros tabuleiros com os objetos destruídos. Escolher um novo tabuleiro e partir para a sala seguinte, onde agora o trabalho será de recriação ou construção de um novo objeto. "Não se trata de destruir por destruir, o processo só fica completo com a criação de algo novo", explica Susana Menezes, responsável pela programação infantojuvenil do Maria Matos. Os miúdos têm à sua disposição vários materiais - como fita-cola, agrafos, parafusos e muito mais - e devem usar a sua imaginação, intuição e vontade para "criar uma peça escultórica a partir dos cacos de um objeto do quotidiano".

Kate Mcintosh sublinha que esta experiência lida com várias ideias, como os instintos de destruição de recriação, o consumo e a reciclagem, a noção de trabalho, de valor, de desperdício. "São momentos para pensar nos objetos e na sua funcionalidade", acrescenta Susana Menezes. "E também para pensar no ato artístico que esta criação representa. Estamos a propor um outro olhar sobra as coisas."

Kate Mcintosh conta que "algumas pessoa levam dez minutos, outras ficam lá dentro uma hora e meia". É uma experiência íntima e da qual os outros só vão ver o resultado final - o objeto que ficará exposto na última sala.

Saias rodadas e a volta da baleia

Depois desta Mesa de Trabalho, a programação para os mais novos do Teatro Maria Matos continua com Saia de Roda (de 21 a 30 de outubro), um espetáculo de teatro de Ana Lúcida Palminha, Suzana Branco e Maria João Castelo para crianças dos 3 aos 5 anos, a partir da ideia de roda e de festa.

De 4 a 6 de novembro, André Amálio apresenta Passa-Porte, um projeto de teatro documental para jovens maiores de 15 anos, sobre as o colonialismo português e o Retorno de 1975. E logo depois Joana Providência continua a sua "Coleção de Poemas" - depois de Adília Lopes, é a vez de dar a ouvir os Poemas de pé para a mão de Regina Guimarães (8 a 13 de novembro). Finalmente, o ilustrador António Jorge Gonçalves regressa com Barriga da Baleia, o espetáculo baseado no seu livro, que se estreou há três anos e vai estar agora na sala principal, de 15 a 18 de dezembro.

Mesa de trabalho
de Kate Mcintosh
Palácio Pombal, Lisboa
amanhã e domingo, das 11 às 13.00 e das 15 às 19.00. Entradas de 15 em 15 minutos
(e nos dias 20 a 24 para o público adulto)

Mais Notícias

Outras Notícias GMG