Disneyland veste-se de azul e prata para o 25.º aniversário

Dois novos espetáculos diurnos e um noturno, parada e atração Star Tours renovadas. Estas são as prendas que a Disneyland Paris preparou para os mais de 36 mil visitantes diários, assinalando os 25 anos do parque.

"Opening Crew 1992" lê-se a vermelho nas costas de um blusão, logo por cima de um Mickey de boné, macacão e martelo na mão. O branco das mangas já teve melhores dias e o borbotos brancos sobre o azul-escuro do resto do tecido do blusão atestam a idade desta parte do uniforme que Valérie usou há 25 anos, na abertura do Parque, numa altura em que ainda se chamava Eurodisney, como também se lê no casaco. "Foi aqui que nasci", diz, e apesar de já há uma década não ser um dos 15 mil membros da atual equipa do parque, acrescenta: "Sinto que esta é a minha família." E tal como acontece nas famílias, sempre que pode, Valérie volta para celebrar os momentos mais importantes.

Por isso, no sábado passado, fez questão de estar presente na agora Disneyland Paris, que, na realidade, são dois parques temáticos (Parque Disneyland e Parque Walt Disney Studios). "São 25 anos, um quarto de século. Não podia faltar", afirma com um enorme sorriso e orgulho transbordante, sem deixar de balançar o corpo ao som da música que se vai ouvindo, nos minutos que antecedem o espetáculo diurno Feliz Aniversário Disneyland Paris, que teve estreia nesse dia 25 de março, tal como A Valsa das Princesas, duas das novidades que o parque de atrações da capital francesa preparou para assinalar com pompa e circunstância o seu 25.º aniversário.

"Para este aniversário queríamos que houvesse espetáculos ao longo de todo o dia no palco junto ao Castelo da Bela Adormecida, a imagem de marca da Disneyland. Por isso criámos dois espetáculos que têm oito apresentações diárias", explica Emmanuel Lenormand, diretor de espetáculos da Disneyland Paris. "Feliz Aniversário Disneyland Paris é uma homenagem ao parque. Por isso falamos da Adventurland, da Frontierland, da Fantasyland e da Discoveryland", as quatro áreas em que o parque está organizado. "Durante 15 minutos, todas as personagens sobem ao palco. É a primeira vez que tenho a oportunidade de reunir tantas num mesmo espetáculo."

O mesmo cenário, batizado como Palco do Castelo Real - onde se destaca um castelo de cristal que pesa 5,3 toneladas e no topo do qual está uma tiara na qual foram colados à mão 250 mil cristais Swarovski -, recebe o espetáculo A Valsa das Princesas cinco vezes ao dia. "Uma das canções deste espetáculo chama-se Every Girl Can Be a Princess (Todas as Meninas Podem Ser Princesas), e é isso que queremos que todas as meninas que nos visitam sintam, tal como as oito princesas da Disney [Aurora, Ariel, Bela, Branca de Neve, Cinderela, Jasmine, Rapunzel e Tiana]."

O momento festivo não passa despercebido aos visitantes nesse dia especial em que a decoração do parque já está a rigor, com várias personagens do universo criado por Walt Disney (1901-1966) empoleiradas nos locais menos esperados, sempre em tons de azul-escuro e prata. "A mudança das cores funciona muito bem", explica Emmanuel Lenormand. "Temos "convidados" que nos visitam todos os anos e eles gostam de redescobrir o parque, de o ver com um novo olhar", diz ao DN.

E se o comum dos mortais assinala o seu aniversário apenas num dia, aqui, a festa de aniversário do rato mais famoso do mundo e dos seus muitos companheiros vai prolongar-se durante todo o ano: "O que é mágico aqui na Disneyland Paris é que temos a sorte de festejar o nosso aniversário durante 365 dias", explica.

Nada foi deixado ao acaso, num trabalho iniciado há quatro anos e meio, "logo após terminarmos o 20.º aniversário". Tudo começou com uma frase: "É preciso pôr estrelas nos olhos dos visitantes. E foi isso que tentámos fazer", revela. "Seguiram-se reuniões e mais reuniões, brainstormings em que discutimos sobre o que iríamos fazer, que história iríamos contar. Quando chegamos a uma decisão, é preciso começar a criar tudo."

O logótipo, com o número 25 a prata sobre azul-escuro, com uns pozinhos de fada à solta, espalhado por todo o parque, é como que a representação gráfica da frase que serviu de ponto de partida. "Porque tentamos contar uma história, trabalhamos em colaboração com o merchandising, a horticultura, os jardins, o setor da restauração. Por isso, quando as pessoas vêm viver a sua experiência, não são apenas os espetáculos que contam histórias. Assim que chegam ao parque de estacionamento, já as bandeiras ou os pendões dão o tom. Quando as pessoas vêm passar um domingo ou uma segunda-feira à Disney é para entrarem numa bolha e esquecerem os problemas do dia-a-dia - e se os temos atualmente, infelizmente."

Este é o espírito do parque, que desde 1992 já recebeu 320 milhões de visitantes, e que está gravado numa placa de bronze junto ao coreto no início da rua principal onde as palavras do presidente de então, Michael D. Eisner, dão as boas-vindas a quem chega ao "reino mágico" das histórias de Walt Disney, muitas delas inspiradas por contos europeus que conheceu quando aos 16 anos esteve em França, como condutor de ambulâncias para a Cruz Vermelha logo após o final da Primeira Guerra Mundial.

Parada renovada

Com tantas histórias e personagens, escolher as que entram em cada espetáculo ou na parada, que também foi renovada, é uma tarefa "complicada", admite Emmanuel Lenormand. E quem acaba por decidir são... os visitantes.

"Todos os dias há pessoas que fazem inquéritos a quem nos visita e assim compreendemos, ao longo do tempo, o que as pessoas amam, adoram, o que gostam menos. Ficamos a saber quais as personagens preferidas em cada momento. Por isso sei perfeitamente que, por exemplo, não posso fazer uma parada sem o Peter Pan, é o preferido das meninas e dos meninos, tal como sabemos que O Livro da Selva é incontornável." Mas nem tudo é decidido pelos resultados dos inquéritos. "Também gostamos de surpreender um pouco as pessoas. Por exemplo, é o Mickey e os seus amigos quem abre a parada, mas surgem vestidos como exploradores do século XXI, entre o passado e o futuro, com um estilo algo punk, sobre uma máquina voadora e com um livro incrível que se abre e de onde saem todas as aventuras da Disney. Vestimo-los de uma forma completamente inédita, muito rica em cores, com óculos. E a Minnie nunca esteve tão feliz porque lhe fizemos um chapéu supervistoso. Como ela é muito fashion e anda sempre nas lojas à procura dos vestidos mais bonitos, adora isso."

Nesta nova parada Disney, um dos momentos altos do dia (às 17.00), formada por oito gigantes carros alegóricos, uma personagem desfilou pela primeira vez: Nemo. "O filme foi um blockbuster quando saiu [2003] e em 2016 houve o À Procura de Dory, que também foi um blockbuster mundial e, por isso, ficámos contentes com a nossa escolha porque, quando a fizemos, ainda não sabíamos se iria ser um sucesso junto do público."

"A coreografia dos figurantes foi criada em janeiro, com o coreógrafo norte-americano Matt West, que tem experiência dos musicais da Broadway. Seguiram-se dois meses de repetição para que todos os artistas aprendessem toda a coreografia, primeiro num estúdio de dança e depois, por fim, no parque, para ver se a coreografia avança e ao ritmo que é suposto." Desde o início de março, quando o último visitante partia, "todos os carros saiam para a rua e o desfile começava", conta.

Novo espetáculo noturno

O espetáculo Disney Illuminations, que diariamente encerra o parque, é outra das novidades preparadas para a celebração do 25.º aniversário. "É um gigantesco trabalho feito a partir das imagens dos desenhos animados projetados no Castelo da Bela Adormecida, com recurso a video mapping, uma técnica que utilizámos pela primeira fez no espetáculo anterior Disney Dreams, inaugurado há cinco anos. Com o avanço da tecnologia, a qualidade das imagens projetadas está muito melhor e, pela primeira vez incluímos projeções de filmes de imagem real." O universo Star Wars surge assim pela primeira vez no espetáculo de encerramento do parque.

A força ganha espaço

Com duas das 59 atrações fechadas para remodelação, as emblemáticas Space Mountain e Piratas das Caraíbas, a atração-estrela desta festa de aniversário é a Star Tours: A Aventura Continua. Se a versão original levava os fãs do universo Star Wars através dos filmes, agora o conceito é diferente, como explica Aslam Amlai, diretor de projeto da Walt Disney Imagineering desde 1996.

"A ideia foi criar uma espécie de aeroporto intergalático em que as pessoas embarcassem numa viagem." Há um enorme quadro que mostra as próximas partidas, robôs que fazem o check-in dos viajantes para os diferentes planetas. O piloto desta viagem a planetas tão diferentes como Jakku, Naboo, Hoth ou a Estrela da Morte é o improvável C-3PO, que leva a bordo um espião. A partir daí desenrola-se uma aventura com recurso a simulações de voo à velocidade da luz, a 3D digital proporcionando setenta versões, à sorte. Boas viagens.

A jornalista viajou a convite da Disneyland

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