Bruno Mars, a estrela pop que já foi imitador de Elvis

Na próxima terça-feira, 4 de abril, o norte-americano Bruno Mars volta a Portugal para um concerto, já esgotado, na MEO Arena, onde apresentará o disco "24K Magic", lançado no final do ano passado.

Faltam dois dias para o regresso do cantor norte-americano Bruno Mars a palcos portugueses, atuando na próxima terça-feira na MEO Arena, em Lisboa, palco que pisou pela primeira vez em 2013. Os bilhetes estão esgotados há meses, o que não é uma total surpresa, tendo em conta que atualmente poucos conseguem rivalizar com a omnipresença das canções de Bruno Mars.

Ainda assim, apesar do fenómeno global que se gerou em torno da sua música, Bruno Mars não pertence àquela linhagem de artistas que está constantemente a lançar novas músicas, ou que de ano para ano acumula mais e mais concertos, mantendo sempre o seu nome e a sua música visíveis para o grande público.

Antes pelo contrário. 24K Magic, o seu terceiro álbum de estúdio, lançado no final do ano passado e que agora vem apresentar na MEO Arena, foi editado sensivelmente quatro anos depois do antecessor, Unorthodox Jukebox (2012). E quatro anos no mundo da pop assemelha-se, cada vez mais, a uma eternidade no deserto.

No entanto, quando regressou com as canções de 24K Magic, do qual já foram extraídos os singles That"s What I Like e 24K Magic, foi como se esses anos não tivessem acontecido e Mars continuou, assim, a reinar nos tops de vendas, nas tabelas de airplay de rádio, nas plataformas de streaming, como sempre aconteceu.

Ou melhor, quase sempre. Se é verdade que desde que se estreou há sete anos com o single Just the Way You Are Bruno Mars tem caminhado um percurso meteórico de popularidade, nem sempre tudo lhe correu de vento em popa.

Tendo crescido no Havai, aos 18 anos decide mudar-se para Los Angeles já com a ambição de se tornar uma estrela planetária. "Era um miúdo. Pensava que bastava chegar a Holly-wood, cantar para alguém e estava feito. Ia logo cantar no Madison Square Garden", contou o cantor em entrevista à revista norte-americana Rolling Stone no ano passado.

Acabou por conseguir um contrato com a Motown Records, que não deu frutos, e o mesmo com o agente de Will.I.Am (também conhecido como fundador dos Black Eyed Peas). Ainda tentou ser DJ, mas os resultados não foram os mais positivos. "No Havai tive sempre trabalho como músico e nunca tive problemas em pagar a renda. Mas quando chego a Los Angeles continuava a receber "nãos". Comecei a fazer DJing, o que foi uma parvoíce, mas disse a uma pessoa que podia trabalhar como DJ porque eles pagavam-me 75 dólares por debaixo da mesa, mas eu não sabia ser DJ e, por isso, perdi o trabalho muito rapidamente", revelou à revista Entertainment Weekly em 2010.

Com o tempo acabou por entrar na indústria discográfica como ambicionava, mas numa primeira fase mantendo-se na sombra, como compositor de outras estrelas pop. Compôs canções para Alexandra Burke, Travie McCoy, Adam Levine, Brandy, Sean Kingston, Flo Rida, Sugababes ou para a reunião dos Menudo. A mudança deu-se quando compôs, num mesmo período, singles para B.o.B. (Nothin" On You) e Travie McCoy (Billionaire), nos quais também cantou, tendo ambas as canções acabado por dominar os tops de vendas. Daí até lançar-se definitivamente a solo foi um pequeno passo.

Apesar dos contratempos iniciais, a verdade é que desde muito novo que o caminho de Bruno Mars parece talhado para o mundo do entretenimento. Tinha apenas 4 anos e já acompanhava os pais e o tio em vários hotéis do Havai, imitando Elvis Presley para entreter turistas.

Cinco dias por semana o grupo familiar, denominado The Love Notes, atuava pelo Havai, imitando Bruno Mars não só Elvis Presley mas cantando temas de Michael Jackson, The Isley Brothers, The Temptations, entre outros. Com 7 anos teve uma pequena participação no filme Honeymoon in Vegas (realizado por Andrew Bargman e protagonizado por Nicolas Cage e Sarah Jessica Parker), desempenhado, precisamente, o papel de Little Elvis, como era então conhecido. "Tinha de entreter todo o tipo de pessoas. Não apenas negros ou brancos ou asiáticos ou latinos. Tinha de atuar para todas as pessoas que visitavam o Havai", contou o músico à Rolling Stone.

As canções que cantava em criança e adolescente para turistas no Havai acabaram por enformar bastante a personalidade musical de Bruno Mars. Michael Jackson, por exemplo, é uma referência basilar da sua música. Já o disco que nesta terça-feira vem apresentar em Lisboa, 24K Magic, é uma espécie de carta de amor ao r&b dos anos 1990 que o músico mais ouvia enquanto crescia. Boyz II Men, as produções de Jimmy Jam & Terry Lewis, Babyface ou R. Kelly são referências bem presentes nos seus temas.

Este regresso a Portugal faz-se a bordo da 24 Magic World Tour, digressão que arrancou na passada terça-feira em Antuérpia, na Bélgica, e que se estenderá até novembro. Além das canções dos seus três discos a solo, não falta também Uptown Funk, uma colaboração com o produtor Mark Ronson, que fez parte do disco Uptown Special (quarto disco do produtor), sendo o tema com o qual Mars se afirmou definitivamente como uma estrela pop planetária (até à data o single vendeu mais de 12 milhões de cópias e foi distinguido com o Grammy de gravação do ano).

Antes de Bruno Mars, atuará na primeira parte o norte-americano Anderson Paak, cantor de r&b que foi alvo de grande aclamação crítica com o seu último álbum, Malibu, que em 2016 entrou para os tops de melhores do ano de publicações e sites como The Guardian, NME, Pitchfork, Spin, Fact, Complex ou Stereogum, além de ter sido nomeado para os Grammys.

Bruno Mars - 24 Magic World Tour

Primeira parte: Anderson Paak

Terça-feira, 4 de abril, às 21.00 MEO Arena, Lisboa

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