As visões femininas fulminaram o palmarés do Doclisboa

Valérie Massadian trouxe ficção ao festival e saiu recompensada, enquanto Inês Oliveira venceu na competição nacional com o belo Vira Chudnenko.

Num ano em que a competição portuguesa era de luxo, o ensaio sentido Vira Chudnenko, de Inês Oliveira, vence o festival sem surpresas. Foi dos melhores filmes vistos na competição nacional e reabilita o nome da cineasta depois do desastre confrangedor que era o seu último filme, Bobô. O júri decidiu dar o prémio maior a uma curta metragem, fazendo assim sentido o critério do festival em colocar curtas e longas no mesmo plano.

Vira Chudnenko é a narração de uma tragédia em Sintra, onde quatro cães em fuga mataram uma senhora russa que passava no seu caminho diário para o trabalho. Um filme com um admirável trabalho plástico a nível de imagem e de som.

Na competição internacional, o júri seguiu os ruídos da moda e premiou Milla, de Valérie Massedian, também recompensado em Locarno. Um festival com um palmarés a premiar visões femininas. Nesse sentido, também Filipa César foi duplamente premiada com o seu exploratório Spell Reel, vencedor do Prémio Fundação José Saramago e da menção honrosa do júri da competição internacional. O filme apresenta-se como uma tese sobre o nascimento do cinema da Guiné no contexto da luta armada pela independência. Trata-se da obra de afirmação desta artista que agora entra para a porta grande do cinema experimental internacional.

De registar que Spell Reel passou no festival depois de já ter sido exibido em Portugal em televisão num canal de subscrição paga.

Na competição nacional, o segundo galardão, o Kino Sound Studio, foi entregue a Pedro Florêncio, por À Tarde, fazendo com que títulos mais sonantes como Diários das Beiras, de João Canijo e Anabela Moreira e António e Catarina, da romena Cristina Hanes, ficassem de mãos a abanar.

A edição quinze do Doclisboa prossegue hoje com a exibição dos filmes vencedores, bem como a repetição de filmes como Le Venerable W., de Barbet Schroeder, e Risk, da oscarizada Laura Poitras, obra que retrata o controverso Julian Assange.

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