Exclusivo José Miguens. O neurocirurgião que sabe que não é deus

"Sabe qual é a diferença entre deus e um neurocirurgião? É que deus sabe que não é neurocirurgião." O diretor do serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria, sucessor de João Lobo Antunes, não acha muita piada à anedota. Para ele, a neurocirurgia só faz sentido se for concebida, e exercida, em equipa.

Não se vê como cirurgião de almas ou caçador de feras, cujo mérito se mede pelo número e a ferocidade de presas caçadas. Tão-pouco cai na presunção de ser omnisciente e omnipotente. Gostaria mesmo de contrariar esse endeusamento da sua profissão. "A medicina hoje não é isso, não pode ser isso, tem de ser melhor do que isso", diz, voz serena e firme. "O objetivo tem de ser assegurar uma atuação de qualidade e com continuidade e, portanto, não pode depender da capacidade ou inspiração de uma só pessoa, ainda que excecional."

Talvez por isso, em lugar de falar de si, da angústia do neurocirurgião diante de um cérebro aberto, da proeza de operar um tumor quase inoperável ou da responsabilidade de ter a vida (e não só) de uma pessoa nas mãos, José Miguens, diretor do serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria - Centro Hospitalar Lisboa Norte desde junho de 2014, prefira falar de coisas mais concretas. Dos avanços da neurocirurgia. Do carácter necessariamente multidisciplinar de uma resposta de excelência aos doentes. Da importância de todas as peças do puzzle. Da defesa do Serviço Nacional de Saúde. E só depois, então, a ferros, de si.

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