Exclusivo A menina do rádio

Marie, dissidente, idealista, crente nas suas capacidades muito mais do que deveria uma mulher da época, era um ser peculiar, obsessivo, de energia inquieta.

Marie Curie, numa das raras entrevistas que concedeu, resumia em 17 palavras a sua biografia. "Nasci na Polónia. Casei-me com Pierre Curie e tenho duas filhas. Fiz o meu trabalho em França." Telegrama indesmentível, factos cientificamente verificáveis. Falta, porém, uma frase exata - "Mudei o mundo."

Uma revolução anunciada a 26 de dezembro de 1898. Do pequeno laboratório da Rue Lhomond, "uma Belém científica" segundo Henry Labouchere, editor da The London Truth, Marie e o marido, Pierre Curie, anunciaram à Academia de Ciências a descoberta de uma nova e notável substância, à qual se propunham dar o nome de rádio. A teoria da radioatividade, técnicas para isolar isótopos radioativos, e a descoberta, a juntar à do rádio, de um outro elemento, o polónio - homenagem da cientista ao país natal, a Polónia -, conduziram, sob a direção de Marie, aos primeiros estudos sobre o tratamento de neoplasmas: uma das glórias maiores da ciência moderna viria a salvar a vida de milhões de pessoas.

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